Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deus. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

FELICIDADE


O maior desejo de todo homem, cristão ou não, é ser feliz.
No dicionário, a felicidade é um conjunto de emoções ou sentimentos que vai desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. Ou ainda, a sensação de bem-estar ou paz interna. O oposto da felicidade seria a tristeza.
Além de o sentimento de felicidade ser muito emocional e vulnerável, podendo a pessoa sentir-se feliz num momento e no outro não, a percepcão de como alcançá-lo mudou nos últimos tempos. Até alguns anos atrás, entendia-se que a felicidade era atingida por alguém quando os seus deveres eram cumpridos, como educar os filhos, sustentar a familia, formar-se numa faculdade, etc. Hoje, ela está relacionada com a realização de desejos pessoais.
O conceito bíblico de felicidade não é o mesmo dos ímpios. Ser feliz, para o mundo, é adquirir muitos bens, dinheiro, casar, fazer viagens,  ter saúde perfeita e tudo isso é muito bom. Mas, segundo as Escrituras, ser feliz não é desfrutar de algumas coisas passageiras e imediatas; é um estado permanente que independe das circunstâncias, sendo alcançado pela decisão de temer, confiar e viver conforme os preceitos de Deus. 
Na Palavra de Deus, a felicidade é uma bênção do Senhor em conseqüência da escolha de vida conforme os padrões bíblicos. Nela, há muitos versículos que falam sobre o homem feliz ou bem-aventurado. Um deles afirma: “Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos.” (Sl 112.1). Ainda na Bíblia, encontram-se outras características daquele que é feliz. Ele é generoso, tem fé, serve ao Senhor e aos irmãos, suporta as adversidades e tentações. Enfim, somente é feliz o homem que permitiu a Deus reinar em seu coração.
Se alguém deseja encontrar a verdadeira felicidadeira precisa buscá-la nos moldes do Senhor. A forma que o mundo tenta alcancá-la  é a de quem corre atrás do vento,  não chega a lugar algum e jamais se satisfaz, pois não tem como base o que é essencial e verdadeiro. Não usa critérios divinos, mas humanos.
O homem pode buscar a felicidade de todas as formas, mas apenas conseguirá quando a fonte de sua busca for o próprio Deus.

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 11 de dezembro de 2010

MERITOCRACIA E GRAÇA

A sociedade, em especial o mundo empresarial, está acostumada com a meritocracia, sistema que valoriza o mérito e aptidão para se atingir determinada posição. Esse argumento parece cada vez mais óbvio e justo, já que as distinções não se dão por sexo, raça, riqueza ou posição social e sim, pelo merecimento pessoal.
Na época de Jesus, e também hoje em várias religiões, era necessário fazer muitas obras para se alcançar o Reino de Deus. Além do cumprimento da Lei de Deus, os religiosos da época acrescentavam mais exigências, tornando o mérito fundamental e a salvação quase impossível.
Mas o Senhor veio mudar o sistema religioso. Veio trazer uma novidade que nenhuma outra religião possui: a Graça, qua faz com que todos recebam gratuitamente a vida eterna, declarando-os igualmente não merecedores e dependentes do sacrifício de Cristo.
Em Romanos 3, a Bíblia afirma que homem algum nada fez ou pode fazer para alcançar a misericórdia de Deus. “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Efésios mostra que ninguém é capaz de ser justificado por si mesmo “porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef. 2.8,9)
A Graça é um sistema que escandaliza o homem, porque é contrário a tudo o que se está acostumado e deixa-o completamente vulnerável. É exatamente o oposto da meritocracia, que recompensa cada um conforme o merecimento. Confiar em si mesmo é mais fácil do que saber que a própria vida está na dependência de outra pessoa, em especial de Jesus.
O que aos olhos da sociedade é óbvio não é a lógica de Jesus. Deus entendeu o homem e a sua impossibilidade de merecer algo, depositou a sua justiça em Cristo e O enviou ao mundo para dar, gratuitamente, a salvação a cada um. Louvado seja o Senhor, pois Seu imenso amor independe das obras humanas!
John Newton foi um homem que entendeu a Graça de Deus. Traficante de escravos do séc. XVIII, certo dia enfrentou uma imensa tempestade. Ao término do ocorrido, comentou que se sentiu tão frágil e desamparado que concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-lo naquele momento. Resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor o hino Amazing Grace (Graça Maravilhosa), famoso na voz de Elvis Presley. Anos mais tarde, Newton disse: "Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: Eu sou um grande pecador, Cristo é o meu grande salvador." No túmulo de Newton lê-se: "John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir".

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 26 de dezembro de 2009

SONHAR, PLANEJAR E REALIZAR


O início de um ano traz consigo muitos sonhos e promessas para o futuro.
É um marco para um novo momento da vida. Por isso, os projetos e planos são refeitos e revistos. Promessas como ler mais a Bíblia, orar com freqüência, ser voluntário em uma instituição, entrar na academia, aprender uma nova língua ou instrumento, visitar familiares distantes, abrir um negócio, entre outras, enchem as agendas e os coraçôes.
Todos desejam mudanças, mas poucos são os que chegarão ao fim de 2010 com seus objetivos cumpridos. Os projetos ficam no meio do caminho porque falta planejamento.
O planejamento é uma orientação divina. Jesus, no Evangelho de Lucas, ensina isso em uma parábola: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar.” (Lc. 14:28-30).. Há um ditado popular que diz: ‘Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde vai.’
O planejamento é importante em todas as áreas da vida. Alguns objetivos demoram mais a serem alcançados e necessitam de mais tempo e adequações. Outros, só dependem de uma simples determinação. Decidir e perseverar. Ao se decidir orar todos os dias pela manhã, é preciso planejar acordar alguns minutos antes, senão não vai funcionar. Já a compra de um carro ou imóvel pode depender de guardar dinheiro, ou vender outro bem, aplicar e esperar o melhor momento.
Deve-se aprender a ser firme e determinado e, ao mesmo tempo, perspicaz e flexível para não se tornar escravo dos próprios planos. De tempos em tempos, é bom avaliar como tem desenvolvido o planejamento inicial e, se preciso, mudar as estratégias para que os objetivos sejam alcançados da melhor maneira.
O principal, antes até mesmo do planejamento, é colocar nossos propósitos e anseios diante de Deus. Como diz Tiago, já que não sabemos o que nos sucederá amanhã, ao fazermos nossos projetos devemos ter a humildade de declarar nossa total dependência de Deus e dizer: “Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo” (Tg. 7.15).
Que Deus nos abençoe e nos conduza na realização de nossos sonhos em 2010!

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

ATRAVÉS DO AMOR


Muitos de nós passam a vida tentando ter razão. Buscam, por meio da coerência e da justiça, reclamar suas prerrogativas, fazer análises e julgamentos e até mesmo auto-criticas. São tão corretos e severos que ninguém ousa confrontá-los.
Outros vivem sem se expor, sem esboçar sua opinião. Preferem o anonimato. De tão prudentes que são jamais fazem inimizades e estão sempre buscando evitar situações conflitantes.
Com a maturidade, podemos perceber que, na verdade, passamos a vida olhando para o próprio umbigo. Cada um, dentro do seu jeito de ser, procura o modo mais confortável para viver os momentos de tensão e de conflitos, sejam eles em família, trabalho, igreja ou outra comunidade.
Muitas vezes, é preciso desaprovar e criticar uns para se sentir seguro na situação. Outras vezes, é necessário fazer alianças, buscar aprovação em algumas pessoas para manter seu lugar.
Muitos poderiam chamar de insegurança esse comportamento, mas infelizmente, o que podemos avaliar é que a sua base principal é o egoísmo. Segundo o dicionário, egoísmo é o hábito de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. Essa atitude exclui o amor.
A Bíblia é bem clara ao afirmar que nada permanece sem amor. Nada tem valor sem amor. Se nem um dom espiritual é assim por Deus considerado, imagine o que deve valer para Ele sem amor a nossa própria justiça, coerência, opinião. Até quando estamos defendendo o Evangelho, supondo estar fazendo em nome de Deus, se nossa motivação for ganhar a briga e não o irmão para Cristo, isso é repudiado pelo Senhor. Na verdade, estamos sendo orgulhosos e carnais.
Para Deus, o amor vale mais que a razão. O relacionamento precisa ser preservado, a discussão deve aguardar o momento de brandura.
Da mesma forma, aquele que não se envolve deixa de se relacionar. O erro não é aparente, não tem repercussão, mas é como o levita e o sacerdote, que já haviam feito a sua parte purificando-se no templo, e, agora, não iriam se comprometer. Teriam que refazer todo o ritual. Preferiram passar direto, serem indiferentes, omissos. Presumiram demonstrar amor a Deus negando compaixão ao homem.
Situações opostas, mas idênticas, mostrando que a nossa tendência não é fazer a vontade de Deus, mas a nossa. Não é fazer o correto, mas o confortável.
Mas, através do amor, podemos fazer diferente. Quando entendemos os nossos atos e as suas conseqüências, temos a possibilidade da mudança e de fazer diferença a nossa volta. Precisamos nos aperfeiçoar. Caminhar nos importando com aquele que caminha ao nosso lado. Seja ele irmão em Cristo ou não, todos precisam ver em nós o amor de Deus e sentir o bom perfume do Senhor. Afinal, somos sal na terra e luz no mundo. O Evangelho não pode ser só falado por nós, mas deve ser percebido e sentido em nós.
Podemos não mudar o mundo. Mas, faremos nossa vida melhor e também as daqueles que estão ao nosso redor. Atrairemos almas para Jesus. Testemunharemos restaurações, milagres, conversões genuínas.
E, ainda, contribuiremos para que haja mais festas no céu.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 8 de julho de 2009

CRESCENDO NOS BRAÇOS DO PAI


Percebemos nas Escrituras que Deus se relaciona com cada filho de forma pessoal, ajudando a crescer espiritualmente e adquirir maturidade e intimidade com o Senhor.
Esse caminho para a maturidade é feito de experiências diversas e aprendizado constante. Cada etapa tem suas maravilhosas descobertas.
O desenvolvimento espiritual de um cristão pode ser comparado ao nosso crescimento físico.
Na infância, quando o Pai se revela e nos convertemos ao Senhor, ficamos extasiados com o seu poder e graça. Cada descoberta é vivida com entusiasmo, cada benção nos enche de alegria e incentiva a buscar mais a Deus.
Nesse período, precisamos ser alimentados com leite espiritual, pois somos crianças. Como aquelas que estão sendo alfabetizadas e, ao aprenderem uma nova letra, descobrem-na em todos os lugares, parecendo que elas nunca estiveram ali. Estamos abertos e sedentos pelo aprendizado e proclamamos, audaciosamente, as maravilhas que temos experimentado de Deus.
Na juventude da vida espiritual, ficamos mais equilibrados e, se nos alimentarmos da Palavra, vamos crescendo em conhecimento e intimidade com o Pai. Buscamos entender avidamente as Escrituras e os propósitos de Deus, descobrir e desenvolver nossos talentos e obter o Fruto do Espírito. Às vezes, ficamos desanimados e fracos, mas Deus sempre nos fortalece pela Sua Palavra, que passa a ser a nossa base. Então, prosseguimos em conhecer e apregoar o Senhor.
Assim como na infância, o Pai continua tratando, corrigindo, direcionando e cuidando de nós.
Essa atenção de Deus permanece sempre na nossa vida; também na maturidade cristã. O nosso alimento passa a ser sólido, e buscamos o Senhor com discernimento e sabedoria. Agora, Deus fala conosco de uma maneira pessoal e íntima. Ainda que passemos por momentos difíceis e incertezas, isso não abala nossa fé, esperança e confiança em Deus. Nossa estrutura está firmada na Rocha.
É verdade que Deus, assim como nossos pais, deseja nosso crescimento sadio e nos confia responsabilidades sempre. Também requer o desenvolvimento dos nossos talentos a serviço do Reino e exige de nós persistência. Não aceita que olhemos para trás ou retrocedamos.
Mas é maravilhoso saber que, nessa caminhada, o cuidado e amor divinos estão sempre presentes em nossas vidas. Ele nos orienta, alerta, guia, corrige, guarda e livra. Deus está sempre pronto para nos dar as mãos quando tropeçamos ou caímos. Seja na alegria, sofrimento, dor, tentação, adversidade, Ele jamais nos abandona.
A jornada espiritual torna-se mais leve quando nos rendemos a Ele e sentimos a Sua doce e constante presença. Essa graça garante que cheguemos à maturidade espiritual sem que nada nos separe do amor do Pai ou nos faça desistir, ainda que Ele tenha que carregar-nos no colo ou nos esconder debaixo de Suas asas.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SONDA-ME


"Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno." (Sl. 136.23,24).
Lemos e cantamos este salmo escrito por Davi e oramos a Deus pedindo que sonde os nossos corações e transforme aquilo que não está conforme a Sua vontade. Pedimos que nos dê um coração sincero, singelo, que nos permita obedecer e agradar ao Senhor.
Sondar significa examinar a fundo o coração e a consciência, buscar entrar no perfeito conhecimento das coisas; procurar descobrir o que é oculto e encoberto.
Mas, será que temos permitido que o Senhor aja em nossas vidas nesse sentido; ou apenas levantamos nossas vozes repetindo o que aprendemos? Será que sabemos e acreditamos no que falamos ao nos dirigirmos a Ele? Ou será que temos medo de ser examinados e questionados?
Verdadeiramente, é muito difícil colocar nossa vida e nosso interior em exposição, ainda que seja para Deus, que já conhece tudo de nós, ou para nós mesmos.
Ao nos permitirmos ser sondados pelo Senhor, temos que estar preparados para nos conhecer a fundo e nos deixar ser transformados. Isso requer quebrantamento, entrega, abdicação e determinação para mudanças. Muitas vezes, exige de nós sofrimento, provações e lutas interiores.
Preferimos as trajetórias mais curtas e fáceis, os atalhos, que nos afastam dos caminhos retos do Senhor e podem ser dolorosos. Preferimos o oculto e escuro, pois a luz pode nos revelar cegos, nus e impuros. Preferimos a aparência e a superficialidade, pelo medo de nos apavorarmos com os nossos monstros, pecados e iniqüidades. Preferimos a máscara, que nos permite parecer sem ser. E que não exige mudança nem empenho. Vamos vivendo como se tudo estivesse muito bem, freqüentando nossos cultos semanais, nossas reuniões sociais, agradando e enganando a todos e a nós mesmos.
Mas Deus deseja que sejamos confrontados e colocados frente a frente conosco e com Ele. Se nossa intenção é agradar o Senhor isso deve ser inevitável. Teremos nossos sentimentos, intenções e motivações colocados à prova, mas serão removidas toda sujeira e maldade e seremos purificados e lapidados. Como um espelho refletindo nossa vida, veremos nosso interior, para que, transformados, andemos com Deus em caminhos retos.
Mais do que vergonha, essa situação permite que sejamos preparados para uma vida definitiva e eterna com o Senhor. Enquanto caminhamos aqui na terra, temos sidos aperfeiçoados por Deus na nossa vida pessoal e espiritual e na nossa caminhada cristão.
Esse processo em nossa vida pode acontecer quando nos entregamos e confiamos no Senhor; ou então, quando, sem nossas forças e riquezas próprias, tudo o que nos resta é Deus. Tornamo-nos totalmente dependentes dEle e nos rendemos para que Ele trabalhe em nossos corações.
Em Apocalipse, Jesus escreve à Igreja de Laodicéia, repreendendo-a por ser miserável, pobre, cega e nu, mas ter seus pecados e infelicidade encobertos pelas riquezas materiais e orgulho. Se, da mesma forma, formos soberbos e não permitirmos ser sondados e transformados por Deus poderemos ser censurados e disciplinados por Ele.
Mas, também como à Igreja, em Sua infinita misericórdia, Ele nos faz um chamado de comunhão para abrirmos as portas de nossos corações: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” (Ap. 3.20).
Se quisermos caminhar com o Senhor, nossa resposta deve ser como a oração de Davi: Eis-me aqui, Senhor, “sonda-me... prova-me... conhece... vê... guia-me...”.

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 17 de março de 2009

FERIDAS PROFUNDAS


"Duvido que Deus possa usar alguém grandemente sem que o fira com profundidade.”
A.W. Tozer



Essa frase pode parecer agressiva e injusta, mas se refere ao processo de Deus em nossas vidas para que possamos ser instrumentos do Seu poder.
É verdade que o Senhor abre feridas em nossas vidas.
E a ferida de Deus não é acidental, não é sem alvo e não é sem propósito. No entanto, esta ferida tem cura, cicatriza e é regenerada, tornando-nos mais resistentes e fortalecidos na fé. Pois é o Senhor quem também cura e cicatriza a ferida.
Ela não é acidental porque as coisas de Deus não são aleatórias. Ele as institui e, no momento certo e segundo a Sua vontade, age na vida de Seus filhos de maneira profunda, causando dor e sofrimento. A ferida provoca, inicialmente, insegurança e dúvida. Duvidamos do Seu amor, da Sua presença em nossas vidas e, muitas vezes, até de Sua existência. Sentimo-nos enganados, confusos e com vontade de desistir.
A ferida não é sem alvo porque Deus sonda nossos corações e conhece as nossas intenções. O alvo de Deus é sempre o nosso ego, mais exatamente o local em que reside a nossa força e a nossa segurança, e as nossas iniqüidades. Ele esquadrinha o nosso ser, faz a ferida e ainda coloca o dedo nela, deixando-a aberta e sujeita a ser vista por nós mesmos. Às vezes, dependendo do local e da intensidade, permite que outros a vejam. Ficamos envergonhados, diminuídos e com a sensação de que não vamos suportar.
Ela também não é sem propósito; ao contrário, o seu objetivo é expor o nosso interior e tratá-lo. Passar o remédio para, então, curar e restaurar definitivamente. Moldar o nosso caráter à imagem de Jesus para que sejamos aptos a exercer o chamado a que o Senhor nos propôs.
Ninguém pode ir à guerra sem ser treinado; ninguém pode trabalhar sem antes aprender o ofício e ninguém pode participar de uma prova sem se preparar; também assim é no Reino de Deus.
Paulo ficou muitos anos aprendendo de Jesus antes de iniciar o seu ministério. Depois disse aos gálatas que trazia no corpo a marca de Cristo, afirmando que tudo o que era velho já havia sido restaurado em sua vida. E, agora, tinha autoridade para ensinar e repreender os irmãos na fé.
Maravilhoso é saber que Deus age soberanamente em nossas vidas, pois não quer que continuemos a viver do passado, com coisas antigas sem restauração. Ele deseja nos preparar e fortalecer, fazer de nós instrumentos de Seu poder.
Maravilhoso é saber que Ele age assim em nosso favor e também em favor do Seu Reino. Que Ele é assim ontem, hoje e sempre. Pois o Deus que abre as nossas feridas e as de Paulo também fez isso até com Seu Filho Jesus para que Ele cumprisse o Seu propósito, apesar de ser perfeito e sem mácula.
Está escrito em Isaías 53 a seu respeito: ”Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus... Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca... posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca. Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito.”
Nós somos o fruto da angústia e da dor de Jesus no calvário. Ele fez a vontade do Pai.
Permitamo-nos também ser feridos e restaurados por Deus, apesar do sofrimento. Com certeza, o resultado será muito recompensador, pois estaremos cumprindo o propósito do Senhor em nossas vidas.

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ESPERAR EM DEUS


"Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor" (Sl. 40.1).

No Salmo 40, Davi louva a Deus pela oração respondida. Ele havia esperado com paciência e o Senhor atendera ao seu pedido de socorro e livramento. Havia passado por muitas lutas, dor, sofrimento, angústias e enfrentado muitos “gigantes” em sua vida. Deus estava aperfeiçoando-o para que o Seu propósito pudesse ser cumprido. Davi havia feito a vontade de Deus para sua vida. Somente depois disso, ele tornou-se efetivamente Rei de Israel.
Nós devemos aprender com Davi.
Temos vivido ansiosos, apreensivos, sem paz. Somos imediatistas. A pressa e a necessidade de soluções rápidas para os problemas e angústias tem sido motivos para não esperarmos em Deus. Também nos julgamos auto-suficientes. Achamos que podemos resolver as dificuldades através de nossa própria capacidade e não confiamos no Senhor.
Na Bíblia, encontramos instruções a respeito de nossos anseios. Paulo diz que não devemos andar ansiosos por coisa alguma, mas entregar a Deus os nossos pedidos e aflições. Logo adiante, Pedro nos exorta a lançar sobre Deus toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós.
Devemos seguir os ensinamentos da Palavra de Deus e fazer como Davi: apresentar os nossos problemas ao Senhor e aguardar Sua resposta. Fazendo a Sua vontade, Ele nos concederá o melhor que podemos ter e contemplaremos a Sua ação em nós. E o melhor de Deus é muito superior ao que imaginamos ou esperamos, pois Ele conhece tanto o nosso sofrimento como a intenção do nosso desejo. Isto também significa que quando decidimos não confiar no Senhor e usamos os nossos próprios recursos, corremos o risco de ter nenhuma ou apenas uma pequena porção daquilo que Ele nos ofereceria. E mais, o caminho de volta pode ser penoso e custar muito caro.
Esperar em Deus significa abdicar de nossa própria vontade e deixar que Ele venha agir por nós. É reconhecer nossas limitações e a grandeza do poder de Deus em nossas vidas.
Os que esperam realmente no Senhor com paciência encontrarão segurança e paz para viverem enquanto aguardam. Serão restaurados e aperfeiçoados através da comunhão com Deus. A confiança no Senhor será fortalecida e eles contemplarão a Sua fidelidade.
Esperar em Deus significa renúncia, coragem e determinação.
Esperar em Deus não é para os fracos, mas para os fortes em Cristo Jesus.
Esperemos como Davi, pacientemente, confiando que, "no tempo certo, Deus fará o melhor”.

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O INCANSÁVEL AMOR DE DEUS


O amor de Deus é tão maravilhoso que fica difícil declará-lo de forma inédita, já que é contado e cantado de diversas maneiras. A nós cabe proclamar tal atributo sempre e de todos os modos, pois, como diz a Bíblia, "o amor de Cristo nos constrange" (2Co. 5.14)... Mas será que temos entendido e dado o devido reconhecimento ao Seu eterno amor?
Deus se importa com cada um de nós e não cansa de nos amar. Israel, o povo escolhido, em diversas ocasiões de sua história, rejeitou o amor do Senhor, ao que Ele respondeu: “Quando Israel era menino, eu o amei... Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença... Tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo... e me inclinei para dar-lhes de comer” (Os. 11.1-4).
"Deus é amor" (1Jo. 4.8), por isso continuou amando o povo escolhido que sempre lhe virava as costas; Ele simplesmente amava, e pronto! Tal como um pai que continua a amar o filho mesmo que este se desvie e faça coisas erradas.
Deus nunca nos abandona e Seu amor é incondicional. As Escrituras dizem: “De longe se me deixou ver o Senhor, dizendo: Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí” (Jr. 31.3).
O amor de Deus é considerado um refúgio. A Bíblia diz em Salmos 36.7: “Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade! Os filhos dos homens se refugiam à sombra das tuas asas.”
O verdadeiro amor se distingue pela ação. Não existe amor quando não há atitude em direção àquele que se ama. Ele precisa não só ser declarado mas também vivido de maneira concreta e real.
O amor é medido pelo que oferece e não pelo que recebe, pois tem prazer em dar. É dito: “Diga-me o quanto você dá de si mesmo e eu lhe direi o quanto você ama”. Isto porque “doar-se” é o maior teste do amor.
Assim, a veracidade e a grandeza do amor do Senhor são demonstradas pelo presente inestimável que Ele deu a todos. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3.16).
Talvez você se encontre longe do Senhor, talvez tenha lhe virado as costas como o povo de Israel e agora está se perguntando: Como Deus poderia continuar me amando?
É que Deus não desiste nem se cansa de amar. Paulo expressou bem isto: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8.38-39).
Volte-se para Deus. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl. 37.5). Reconheça o amor de Deus, prove do Seu amor enquanto é tempo, porque Deus não desiste nem se cansa de amar você.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

DEUS É FIEL


A fidelidade de Deus talvez seja o atributo que mais nos forneça conforto e segurança. Enquanto vivemos em um mundo em que a inconstância e deslealdade são características do homem pecador, crer em um Deus perfeito e que em tudo é fiel nos faz descansar em paz e ter mantida a nossa esperança.
Deus é fiel em todos os aspectos. Ele é fiel à Sua Palavra e a todos as Suas promessas. Tudo o que Deus se propôs a fazer Ele fará e tudo o que Ele prometeu Ele cumprirá. Essa é a confiança e a certeza que nEle temos. É confortante saber que Deus nos deixou a Sua Palavra e que ela jamais mudará.
A Bíblia diz de Deus: "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” (2 Tm. 2:13). A fidelidade de Deus faz parte de Seu caráter e ela independe do que o homem faz. Ele é o Senhor da história e nela interfere e efetua tudo a que se propôs.
A base da nossa segurança é também a fidelidade de Deus a Seu Filho Jesus, pois "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor" (1 Co. 1:9). Desde a criação e em toda a Bíblia podemos ver a promessa de Deus sobre Jesus. Primeiramente fomos admitidos na comunhão com Cristo, e o objetivo final é nossa presença com Ele na glória. E isto é garantido pela fidelidade de Deus, que nos confirmará no fim (1 Co. 1:8), pois os chamados serão justificados e glorificados. Os que Ele chamou e justificou estão seguros, pois Deus é fiel à Sua Palavra para com o Filho.
E é a fidelidade de Deus que faz com que nós possamos retornar à presença do Senhor quando dEle nos afastamos. As Escrituras dizem que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito. Portanto, é também a Sua fidelidade que nos ajuda nos nossos momentos de infidelidade para com Ele.
Mesmo a correção nos é garantia do comprometimento de Deus e a Bíblia afirma que “o Senhor corrige a quem ama” e logo depois “Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos” (Hb. 12.6a;8).
Quão firme e maravilhoso é o fundamento da nossa fé. Nossa segurança não está em nossa fidelidade a Deus, mas na fidelidade de Deus. Louvemos e agradeçamos ao Senhor por isso e que a Sua fidelidade possa gerar em nós a paz que excede todo o entendimento humano e a certeza que estaremos com Ele eternamente.

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

BUSCAI O SENHOR


A única forma verdadeira de se conhecer a Deus é através da Sua própria revelação aos homens, e Deus se faz conhecer porque sempre intenta um relacionamento pessoal com o ser humano.
A criação é em si mesma uma forma de revelação geral de Deus à humanidade. Em Romanos 1.20 está escrito: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”. Aqui Paulo declara que essa revelação natural é tão clara e patente aos olhos dos homens que não há desculpa para aquele que não percebe e não enxerga a gloriosa manifestação do poder de Deus na criação, ou seja, na natureza, no universo, no sol, na lua, nas plantas, nos animais...
Outra forma de revelação de Deus é o anseio do homem por respostas que a sua própria capacidade não consegue resolver sozinha. Em Eclesiastes 3.11 está escrito que “Deus colocou a eternidade no coração do homem” e, dessa forma, ele pode buscar a Deus para aquietar as suas questões existenciais e descobrir mais dos propósitos de Deus para a humanidade.
Mesmo com as revelações naturais de Deus, poder-se-ia pensar que, para muitos, uma revelação específica seria mais acertada, pois alguns poderiam ser confundidos pela cegueira espiritual deste mundo ou pela abundância de explicações filosóficas e científicas a que se tem acesso.
Mais uma vez, Deus se mostra através das Escrituras Sagradas, que é a revelação específica, direta aos homens a respeito de todo o plano de Deus para a humanidade. Há hoje também a presença do Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo e testifica nos corações a respeito das verdades eternas de Deus.
Pelas Escrituas, pela fé e pelo Espírito, o homem pode se aproximar e se relacionar com Deus, conhecê-Lo melhor e também ao Seu filho Jesus e Sua obra redentora para a humanidade.
Deus se revela de diversas formas ao homem. A todo o tempo e em qualquer lugar. Não deixe o homem de buscar o Senhor, Ele está disponível a todo aquele que O busca de todo o coração.
Sobre isso, a Palavra de Deus é clara em várias passagens: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar” (Isaías 55.6); “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29.13). Ainda, em Apocalipse 3.20 Jesus adverte: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”.

Rosane Itaborai Moreira

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A PARTÍCULA DE DEUS


Recentemente, uma revista semanal teve como artigo de capa o nascimento do universo com os mais recentes estudos da Física sobre o assunto.
Os estudos levam os cientistas à teoria de que o universo se formou pela expansão de um único ponto, sem o qual nada existiria e por meio do qual todas as coisas passaram a ter massa, ou seja, passaram a existir materialmente. Os cientistas estão à procura desse ponto inicial que eles denominam “bóson de Higgs”, mas apelidam “partícula de Deus”. É a única peça que falta para montar o quebra-cabeça que explicaria a "materialidade" do nosso universo.
Isso, mais uma vez, vem confirmar o que os estudiosos da Bíblia acreditam: que a criação do mundo se deu a partir e por meio de Deus. Se tudo foi criado a partir de um ponto e ordenado de forma harmônica, chega a ser irracional imaginarmos que por trás dessa ordenação do universo não teria uma mente inteligente e com propósitos claros. É atribuir muita sorte ao acaso.
Ainda segundo esta teoria citada acima, esse ponto do tamanho de um próton, numa fração de segundos, cresceu drasticamente, dando início à matéria. Não houve uma explosão e sim uma súbita expansão que deu origem a tudo. Depois, o universo atômico foi formado, nasceram as estrelas, o sistema solar e, por fim, a vida.
Estudando a criação do mundo em Gênesis cap. 1 podemos identificar semelhança com os estudos da ciência não só no que foi criado como também na seqüência da criação: a luz e as trevas, o firmamento, a terra e o homem.
No artigo, até mesmo algumas teorias sobre o fim do universo nos remetem à Bíblia, com as citações sobre o que ocorreria no final dos tempos, como exemplo a ressurreição dos mortos.
Interessante também é ler uma entrevista com um astrofísico que diz que a ciência ainda não explica algumas questões, como essa expansão do universo e o que a causou, e também não tem certeza se há forças desconhecidas que regem o universo. É atrás dessas e outras questões que eles estão.
É verdade que a ciência sempre buscou estudar o nascimento do universo e refutar a Bíblia. Ela tem interesse nesse assunto. Mas, sabemos que Deus e todos os seus desígnios não são explicados pela lógica e, menos ainda, pela ciência. Para conhecer a Deus é necessário ter fé, acreditar em sua existência. Mas sabemos também que os cristãos evangélicos sempre foram criticados por usarem apenas a fé para explicar a sua crença. Quando vemos os cientistas tentando descobrir os mistérios que, pela Palavra, nos foram revelados, a única coisa a fazer é orar para que, ao descobrirem a existência dessa partícula inicial, possam descobrir também o Deus verdadeiro em suas vidas.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 2 de julho de 2008

DÍZIMOS E OFERTAS


As Escrituras Sagradas são permeadas de situações mostrando que Deus não olha o exterior do homem, mas se agrada do coração sincero, grato e disposto a obedecer. No que se refere aos dízimos e ofertas, o Senhor sempre os requereu aos filhos de Israel; mas, mesmo no período da Lei, no Antigo Testamento, quando sacrifícios e holocaustos eram freqüentes, Ele se alegrava com as ofertas voluntárias. Isto é observado em diversos momentos. Ainda na construção do tabernáculo, Deus fala através de Moisés: “Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor; cada um, de coração disposto, voluntariamente a trará por oferta ao Senhor: ouro, prata, bronze...” (Ex 35.5). E o povo atendeu e “o que tinham era suficiente para toda obra que se devia fazer e ainda sobejava” (Ex 36.7). Em I Crônicas, o Rei Davi, ao fazer os preparativos para a construção do templo, diz ao povo: “Quem, pois, está disposto, hoje, a trazer ofertas liberalmente ao Senhor?” (29.5). O povo se dispôs e “se alegrou com tudo o que fez voluntariamente porque, de coração íntegro, deram eles liberalmente ao Senhor” (29.9). E Davi orou: “Bem sei, meu Deus, que tu provas os corações e que da sinceridade te agradas; eu também, na sinceridade de meu coração, dei voluntariamente, todas estas coisas; acabo de ver com alegria que o teu povo, que se acha aqui, te faz ofertas voluntariamente” (29.17).
No Novo Testamento, Deus revela Sua graça e Seu amor através de Jesus. Graça remete a reconhecimento e amor, a comprometimento. Embora liberto e tendo liberdade em Cristo, o povo de Deus ainda mais é convidado a ofertar voluntariamente. Em II Co 9.6,7, Paulo diz: “E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”. O Senhor continua o mesmo: Seu coração é comovido não pela quantidade de ofertas ou pela necessidade pessoal, mas porque sonda e conhece a disposição de cada um em ofertar e investir no Seu Reino voluntariamente. O cristão não é chamado a barganhar com Deus, a dar pensando em quanto Ele multiplicará sua vida financeira. O cristão é chamado a se relacionar intimamente com seu Pai, a fazer o melhor para Ele, a serví-Lo com amor e singeleza de coração. O Senhor não cobra além da possibilidade de cada um. Jesus honrou a viúva pobre ao dizer a Seus discípulos: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofiláceo mais do que fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza, deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento” (Mc 12.43,44). Mas, mesmo sem exigir sacrifícios, Ele é fiel e nos abençoa com muito mais do que pensamos e pedimos, conforme o Seu poder que opera em nós.
Apesar de Deus não habitar, necessariamente, em templos feitos por homens, a igreja local é o ajuntamento do Seu povo, local abençoador de inúmeras vidas, onde se prega e se ensina a viver a Sua Palavra. Assim, dizimar e ofertar na "casa do Senhor" é investimento seguro, pois é investir no Reino de Deus.

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 26 de junho de 2008

DEUS E A HISTÓRIA


O estudo da História da Teologia consiste em toda reflexão humana como esforço em aprofundar e compreender melhor as manifestações de Deus ao homem ao longo da história. Ainda que o objetivo seja a revelação de Deus aos homens transmitida pelas Escrituras, experiências e tradição oral, esta reflexão humana não se desenvolve separada do contexto histórico e sociocultural através dos séculos até nossos dias. Compreende-se então que, apesar de Deus ser imutável, o pensamento teológico experimenta um desenvolvimento, uma evolução quando analisado cronológica e sistematicamente.
Nosso conhecimento de Deus inicia-se a partir da Criação, intentando um relacionamento íntimo e direto com o homem criado à Sua imagem e semelhança. O homem desobedece a Deus e o castigo divino é estendido a toda a humanidade, trazendo conseqüências inclusive à natureza. A partir daí, observam-se as diferentes formas de manifestação de Deus para que este relacionamento fosse restaurado.
Com o pecado presente em toda a humanidade, Deus acha graça em um homem, Noé, que é escolhido para, juntamente com sua família e alguns animais, entrar na arca, sendo todos os demais homens e animais objetos da ira e da condenação de Deus. Vê-se, então, o juízo e a graça divinos serem exercidos.
Mas Deus tem um propósito e Ele intervem na História para que o mesmo se cumpra.
No período Patriarcal, Deus chama um homem, Abraão, para ser pai de uma grande nação. O chamado foi direto e individual e a resposta de Abraão dependia da fé e da obediência a esta manifestação de Deus. Nesse período, Deus se revelou ao homem diretamente e, pela fé, ou seja, pela capacidade de ver Deus, o homem responde com a obediência. Estabelece-se, assim, o processo do desenvolvimento histórico do relacionamento de Deus com o homem.
No período da Lei, a revelação de Deus ao homem é formalizada através da Lei dada a Moisés. Deus se manifesta a Moisés mostrando Sua glória e poder e dando todos os estatutos a serem cumpridos pelo povo para que haja bênção. Os atos de Deus dependeriam, agora, da obediência à Lei. A Lei mostrava o pecado, e este separa o homem de Deus. Deveria haver arrependimento e conserto. Para aplacar a ira divina, o contexto da Lei também fornecia alternativas simbólicas para o homem livrar-se do pecado e reaproximar-se de Deus: sacrifícios de sangue, sacerdócio, festas e consagrações e até mesmo o tabernáculo, símbolo de Deus no meio do povo. Nota-se, nesse período, um grande número de ações de Deus no meio do povo mostrando sua justiça: a morte dos filhos de Arão, a lepra recaída sobre Miriã, a peregrinação do povo pelo deserto até que a primeira geração morresse devido à incredulidade e até mesmo o castigo dado a Moisés, que não entrou na Terra Prometida por desobediência. Deus, nesse período, manifestou-se não só por atos de justiça e condenação, mas também pelo cuidado com o povo: a nuvem de dia, a coluna de fogo à noite, a passagem pelo Mar Vermelho, o maná, entre tantos outros.
Ao se instalar em Canaã, Deus continua se manifestando com poder e cuidado com o povo e, principalmente, com o Seu comprometimento em cumprir a Sua Palavra. O episódio do pecado de Acã mostra a santidade de Deus e como a desobediência poderia trazer maldição, ou seja, o que é santificado por Deus torna-se anátema para o homem que usurpar, fazendo uso indevido do que é santo. Além da morte conturbada de Acã, o pecado oculto leva a uma derrota vergonhosa de Israel na Batalha de Ai. Novamente, é visto com clareza o exercício do juízo divino.
Em Juízes, com a falta de liderança política e espiritual, a religião torna-se com forma (sacrifícios, sacerdócio, festas, etc.), mas sem essência (arrependimento, santidade, comunhão, revelação, etc.), gerando um ciclo que, quando havia arrependimento do povo pela apostasia, Deus se manifestava através de um juiz escolhido por Ele para tirar o povo da opressão dos estrangeiros e legislar no meio deste povo. A manifestação de Deus dependia da conversão da nação dos seus maus caminhos.
Samuel inaugura o Período Profético, que pode ser visto como uma tentativa de Deus Dmostrando que a essência é mais importante que a forma. É a reestruturação religiosa baseada no aspecto básico e essencial da Lei: o arrependimento. O ponto culminante dessa mudança é sentenciado pelo próprio Deus em I Sm.16.7b: “O homem vê o exterior, porém, o Senhor, o coração”. Todos os demais profetas que viriam após Samuel experimentam essa intimidade e compromisso com Deus, sendo usados como canal para a revelação da vontade de Deus em relação à nação de Israel. Eram responsáveis por falar ao povo aquilo que Deus tinha a dizer. Através de um homem escolhido e separado, Deus se revela ao Seu povo, não só pela palavra proferida, como também na realização de atos miraculosos comprovando a presença de Deus na vida daquele homem.
No período da Monarquia, pode-se ver, com o rei Davi, a revelação de Deus ao homem de uma forma completa. Ele personifica o ser humano em ambigüidade cujo ser interior anseia por um relacionamento íntimo com Deus; retrata, também, o modelo de um israelita que experimenta a essência da Lei, usufruindo todas as bênçãos (intimidade) e disciplinas cabíveis neste relacionamento. Assim, pode-se ver Deus rejeitando Saul ao oferecer sacrifícios antes de ir para a guerra, pois Samuel demorava (ato aparentemente correto ou justificável para o ser humano), mas não condenando Davi, que entrou no tabernáculo e comeu o pão santo da proposição juntamente com seus homens, pois tinham fome (ato aparentemente errado). Deus manifesta, novamente, Seu juízo e Sua misericórdia em cada vida, pois sonda e conhece o coração.
Deve-se entender que todo o pensamento judeu em relação à manifestação de Deus pode ser simplificado da seguinte forma: Deus se revela ao homem pela Palavra e gera no homem uma experiência relacional, que gera uma ação exterior, a obediência. Era dessa forma, então, que a nação de Israel conviveu com o Deus que se revelou poderoso, justo, provedor, libertador. Era o Deus Forte das Batalhas, que lutava pelo povo escolhido. O entendimento de Sua graça e misericórdia tiveram lugar apenas para aqueles que ousaram buscar uma intimidade e relacionamento com Deus, pois Deus sempre falou que de nada valiam sacrifícios e holocaustos se os corações continuassem cheios de maldade, ou ainda, que era melhor obedecer que sacrificar.
Mas, ainda assim, Deus continua intervindo na história para cumprir Sua Palavra. Para voltar a se relacionar com o homem, que sempre continuou pecando e distanciando-se de Deus, Ele envia o Messias Prometido, Seu Filho Jesus, inaugurando um novo momento teológico.
Em Jesus, tem-se a revelação maior de Deus: o Seu amor incondicional, que não está em Deus, mas é Deus, pois “Deus É Amor”, capaz de colocar em um só homem todo o pecado e toda condenação que seria destinada à humanidade. É a revelação da graça, do amor, da misericórdia, da benignidade e tantos outros atributos que são vistos em Jesus. E Ele diz: “Quem vê a Mim, vê o Pai”. Então, este é o mesmo Deus que se manifestou desde o início da criação.
Jesus veio mostrar o Deus que cuida dos enfermos, dos pobres, dos necessitados e dos aflitos. Que manda dar a outra face, caminhar a segunda milha, lavar os pés do próximo, socorrer o necessitado, comer com pecadores, valorizar os excluídos socialmente. Ele veio mostrar que a Lei foi feita para o homem e não o homem foi feito para a Lei. Jesus quebrou paradigmas, violou regras farisaicas, mostrou um Reino interior. Jesus, literalmente, foi um revolucionário, despindo os judeus de toda hipocrisia e mostrando o que tem realmente valor para Deus.
Diante de uma aparente ambigüidade, poder-se-ia perguntar: Como um Deus que manda matar, espalha pragas e doenças, leva o povo cativo, não aceita ser contrariado, pode ser o mesmo Deus que mostra amor, mansidão e graça? A resposta pode parecer não ser simples, mas Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é imutável. Ele é o “EU SOU”. Os Seus atributos são maneiras humanas de entender e classificar a revelação divina de acordo com o período histórico, cultural e social, mudando apenas como Deus se faz entender pelo homem em cada época e situação.
Como já dito, a partir do Novo Testamento, a reflexão teológica toma um caminho novo. Nos Evangelhos, Deus é visto no meio do povo, o Emanuel. Em Atos, com a descida do Espírito Santo, Deus passou a habitar dentro de cada cristão. É a presença de Deus dentro e a partir de cada um. Deve-se lembrar que, também nesse período, existem os simbolismos, que consiste na forma da religião: a ceia do Senhor e o batismo, como exemplos.
O Livro de Atos também mostra claramente a soberania de Deus para que Seus propósitos sejam cumpridos. Os cristãos são obrigados a saírem de Jerusalém e, perseguidos e cheios do Espírito, passam a cumprir o que Jesus mandara: levar o Evangelho até os confins da terra. Esse momento histórico é também permeado de milagres realizados pelos discípulos, comprovando a veracidade do Deus que pregavam.
Apesar de ser um período da manifestação da graça e do amor de Deus, da revelação de que Jesus levara os pecados e condenação sobre si mesmo, o pecado continua a ser mostrado, agora à luz da Verdade, pois, em Cristo, nossos erros são revelados para conserto. O episódio de Ananias e Safira, que morreram ao mentir para a comunidade cristã e para o Espírito Santo, mostra que Deus não é conivente com o pecado, apesar da graça e de toda longanimidade. Era um momento histórico em que algo precisa ficar bem estabelecido: a imutabilidade, a santidade e a soberania de Deus.
Dessa forma, podemos afirmar que Deus é o mesmo eternamente, mas, ao traçarmos uma linha cronológica, vemos as diversas formas da manifestação de Deus no decorrer da história, que não podem ser dissociadas umas das outras, mesmo para a reflexão teológica. Podemos, no máximo, investigar qual a expressão de Deus num exato momento para compreendermos o que Deus quer revelar ao Seu povo, mas jamais para estudarmos quem ou como Ele é considerando apenas um determinado período histórico.

Rosane Itaborai Moreira