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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O DIA DO DESCANSO


O Dia do Descanso do Senhor é uma questão que gera controvérsia entre alguns grupos religiosos. Por ter Deus ordenado aos israelitas no Antigo Testamento que santificassem o dia de sábado cessando suas atividades, devem os cristãos de hoje também separar este dia? E por que o dia separado atualmente é o domingo?
Biblicamente, Jesus inaugurou um novo tempo, o Período da Graça ou a Nova Aliança, em contraste com o Período da Lei ou a Antiga Aliança.
A Lei foi o sistema de regras estabelecidas por Deus ao povo hebreu; era um pacto com os israelitas. Compreende todos os mandamentos revelados na Bíblia, especificamente no Pentateuco. São os mandamentos morais, civis e cerimoniais dadas por Deus a Moisés para ensinar o povo a viver uma vida separada do pecado. Um dos aspectos da Lei era a guarda do sábado como dia santificado ao Senhor.
A Lei foi estabelecida por Deus para preparar o mundo para receber a promessa da salvação, Jesus Cristo. O Salmo 118.22-24 afirma: "A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular. Foi o Senhor que fez isto e é maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele". Isto se cumpriu quando Cristo foi rejeitado pelos judeus e por fim crucificado (I Pe. 2.7); e também na ressurreição, quando os discípulos, até então tristes, viram Jesus e se alegraram (Jo. 20.19,20). Foi justamente no primeiro dia da semana, um domingo. Depois disso, a igreja começou sempre se reunir aos domingos (At. 20.7; I Co. 16.1,2). Mais tarde, João chama este dia de "Dia do Senhor" (Ap. 1.10).
Como Jesus foi feito Senhor pela ressurreição e isto aconteceu num domingo, agora este dia é considerado o dia separado para o Senhor. Mas isto não foi um novo mandamento estabelecido por Deus, mas um processo natural que se instituiu ao longo dos anos da História da igreja.
O mais importante, no entanto, é o entendimento bíblico e espiritual da extensão do propósito de Deus para a humanidade e não apenas de forma didática e histórica.
Como a Lei serviu para preparar a humanidade para a vinda de Jesus, ela só faz sentido até esse período. Em Gl. 3.23-25 está escrito: ”Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”. Este versículo mostra que toda a Lei, que foi cumprida em Jesus, agora está encerrada, sendo sombra do que viria posteriormente, pois ela apenas apontava para Cristo, o qual é muito superior à Lei.
Quando Jesus veio à terra, havia uma excessiva atenção dos judeus ao sábado em detrimento de outros aspectos da Lei. Mas Ele jamais pregou a exigência da guarda do sábado. Não há registro algum em todo o Novo Testamento. Nas situações em que menciona o sábado, Ele o faz para mostrar que a vida em Cristo era muito mais importante. Em Mc. 2.27,28 Jesus afirma: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor”. Com isso, ensinou que o homem tem mais valor que o sábado, e que ele não foi feito para escravizar o homem, pois para Deus o homem vale mais que um simples dia da semana.
O autor aos Hebreus (cap. 4) diz que o nosso descanso ou sábado é Jesus. Por isso Ele se declara Senhor do sábado. A realidade sabática é viver em Cristo – o nosso descanso – e não a guarda legalista de um dia.
A compreensão da Palavra de Deus em toda a sua amplitude nos mostra a eficácia do sacrifício de Jesus. Já não dependemos da Lei e dos sacrifícios do Antigo Testamento para sermos salvos e aceitos diante de Deus. Os que vivem ainda segundo a Lei por ela serão julgados, e não terão a mínima chance de salvação. Somos salvos pela graça, mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, não pelas obras, pelo cumprimento dessa ou daquela ordenança (Ef. 2.8-9). Agora, estamos livres da Lei, para a qual morremos (Rm. 7.6).
Portanto, vivamos na liberdade com a qual Cristo nos libertou, e não tornemos a nos colocar debaixo do jugo da servidão (Gl. 5.1). Vivamos apenas no nosso eterno descanso que se revelou em Cristo Jesus.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

NÃO REPITA A HISTÓRIA


Ao rever a história da humanidade, nota-se que, apesar do avanço tecnológico e científico e mudanças culturais, o homem sempre permanece o mesmo como agente causador de conflitos e imoralidade.
No âmbito internacional, continua-se a presenciar as guerras, o xenofobismo, o domínio e a submissão de nações, a destruição da natureza. No aspecto social, repete-se a perversão moral, a pobreza, o domínio de classes, a corrupção, os crimes, etc. Individualmente, o homem pratica hoje os mesmos erros do passado: soberba, ciúmes, luxúria, preconceitos, ódio, inveja. Isso por um único motivo: a introdução do pecado na humanidade e o conseqüente afastamento de Deus.
O homem sem Deus é um ser errante. Ele não tem objetivos definidos e satisfatórios, ficando sem direção e motivação. Não sabendo o que o aguarda no final da linha, entrega-se aos prazeres mais imediatos que não lhes preenchem o vazio interior. Uma nação sem Deus é uma nação inconstante e cíclica, periodicamente submetida ao julgamento e ira divinos para que a depravação não chegue a níveis tão horrendos e insuportáveis à santidade do Senhor.
Analisando ainda a história do homem na Bíblia e no Cristianismo, percebe-se o povo de Deus cedendo a estes apelos mundanos ao desconsiderar que o Senhor tem reservado algo muito mais valoroso do que o presente século. As palavras bíblicas de alerta em relação aos prazeres carnais são totalmente esquecidos.
Mas deve-se lembrar do que é dito em Apocalipse. No final, todos serão julgados pelo Senhor da História: nações, líderes, povos e indivíduos. Todos serão responsabilizados e responderão por seus atos. Não haverá desculpas, pois está escrito: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6.7).
E como a humanidade pode resolver tão terrível e cruel destino? Felizmente, Deus, em sua infinita misericórdia, oferece a todos a solução para tal sentença: a reconciliação através de Jesus Cristo. Ele é o único remédio, o único caminho, o único mediador. Quando Ele veio à terra teve dificuldades de encontrar lugar. Que Ele não ache também dificuldades em encontrar lugar em cada coração. Não repita a história de seus antepassados. Um dia, Ele voltará e iniciará um novo momento na História da humanidade.

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 19 de agosto de 2008

EM BUSCA DA ARCA


A história da Arca de Noé é uma das mais conhecidas e comentadas das Escrituras. Esse fato bíblico é narrado também em outras fontes escritas externas à Bíblia, sendo que diversos documentos babilônicos descobertos relatam o mesmo dilúvio. O 11º tablete do Épico de Gilgamesh, a maior composição literária da Mesopotâmia, descreve uma arca, animais levados até ela, pássaros sendo soltos durante a grande inundação, a arca repousando sobre uma montanha e um sacrifício oferecido após a arca ter parado.
Segundo a Bíblia, a Arca de Noé era uma grande embarcação de madeira impermeabilizada com betume, com proporções semelhantes aos transatlânticos atuais. Depois do dilúvio, a arca teria repousado no Monte Ararate, antigo reino de Urartu.
Nos últimos anos tem aumentado o interesse na busca pela Arca de Noé. Muitas expedições já foram feitas ao Ararate (foto), uma cadeia com dois montes gêmeos, localizada na Turquia. Sabe-se de relatos, no decorrer da história, de um grande barco em uma montanha nesta região. Achados do século III d.C. mostram que tal fato era de conhecimento geral e que o barco ainda podia ser visto no Monte Ararate.
Hoje, muitos são os que afirmam a existência da embarcação no topo dessa montanha. Em geral, acredita-se que pelo menos uma parte da arca ainda está intacta, não no pico mais alto, mas em algum lugar acima do nível dos 10.000 pés. Encoberta sob gelo e neve na maior parte do ano, apenas em verões quentes a arca pode ser vista e até visitada. Existem muitos relatos documentados de visitas à embarcação, coleta de madeira e fotografias aéreas. Na década de 80, um participante ativo das expedições foi o ex-astronauta da NASA, James Irwin, hoje já falecido.
No entanto, não houve muita evolução na busca da arca. As visitas posteriores feitas ao local descrito pelas diversas expedições não evidenciaram nenhuma informação adicional significativa, o local exato das fotografias aéreas não pôde ser localizado e o número de expedições ao monte diminuiu muito na década de 90.
A Arqueologia continua em busca desta e de outras evidências que possam contribuir para comprovar a história bíblica. Os cristãos parecem estar muito interessados nesta prova, pois, conforme disse Ron Wyatt, um médico anestesista estudioso do assunto, “Se a Arca de Noé fosse real, então toda a Bíblia seguramente era fidedigna”. A credibilidade da Bíblia estaria condicionada à confirmação de um de seus relatos.
É interessante pensar que, apesar de todo o aparato tecnológico que permite até viagens espaciais e pesquisas em outros planetas, as dúvidas sobre o achado no Monte Ararate ainda não foram elucidadas. Falta de interesse em tal pesquisa, dificuldades de acesso à região ou providência divina, não importa. Deixemos de lado por um momento o que dizem os homens e apliquemos as palavras de Jesus: “Bem-aventurados os que não viram e creram” (Jo. 20.29).

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 26 de junho de 2008

DEUS E A HISTÓRIA


O estudo da História da Teologia consiste em toda reflexão humana como esforço em aprofundar e compreender melhor as manifestações de Deus ao homem ao longo da história. Ainda que o objetivo seja a revelação de Deus aos homens transmitida pelas Escrituras, experiências e tradição oral, esta reflexão humana não se desenvolve separada do contexto histórico e sociocultural através dos séculos até nossos dias. Compreende-se então que, apesar de Deus ser imutável, o pensamento teológico experimenta um desenvolvimento, uma evolução quando analisado cronológica e sistematicamente.
Nosso conhecimento de Deus inicia-se a partir da Criação, intentando um relacionamento íntimo e direto com o homem criado à Sua imagem e semelhança. O homem desobedece a Deus e o castigo divino é estendido a toda a humanidade, trazendo conseqüências inclusive à natureza. A partir daí, observam-se as diferentes formas de manifestação de Deus para que este relacionamento fosse restaurado.
Com o pecado presente em toda a humanidade, Deus acha graça em um homem, Noé, que é escolhido para, juntamente com sua família e alguns animais, entrar na arca, sendo todos os demais homens e animais objetos da ira e da condenação de Deus. Vê-se, então, o juízo e a graça divinos serem exercidos.
Mas Deus tem um propósito e Ele intervem na História para que o mesmo se cumpra.
No período Patriarcal, Deus chama um homem, Abraão, para ser pai de uma grande nação. O chamado foi direto e individual e a resposta de Abraão dependia da fé e da obediência a esta manifestação de Deus. Nesse período, Deus se revelou ao homem diretamente e, pela fé, ou seja, pela capacidade de ver Deus, o homem responde com a obediência. Estabelece-se, assim, o processo do desenvolvimento histórico do relacionamento de Deus com o homem.
No período da Lei, a revelação de Deus ao homem é formalizada através da Lei dada a Moisés. Deus se manifesta a Moisés mostrando Sua glória e poder e dando todos os estatutos a serem cumpridos pelo povo para que haja bênção. Os atos de Deus dependeriam, agora, da obediência à Lei. A Lei mostrava o pecado, e este separa o homem de Deus. Deveria haver arrependimento e conserto. Para aplacar a ira divina, o contexto da Lei também fornecia alternativas simbólicas para o homem livrar-se do pecado e reaproximar-se de Deus: sacrifícios de sangue, sacerdócio, festas e consagrações e até mesmo o tabernáculo, símbolo de Deus no meio do povo. Nota-se, nesse período, um grande número de ações de Deus no meio do povo mostrando sua justiça: a morte dos filhos de Arão, a lepra recaída sobre Miriã, a peregrinação do povo pelo deserto até que a primeira geração morresse devido à incredulidade e até mesmo o castigo dado a Moisés, que não entrou na Terra Prometida por desobediência. Deus, nesse período, manifestou-se não só por atos de justiça e condenação, mas também pelo cuidado com o povo: a nuvem de dia, a coluna de fogo à noite, a passagem pelo Mar Vermelho, o maná, entre tantos outros.
Ao se instalar em Canaã, Deus continua se manifestando com poder e cuidado com o povo e, principalmente, com o Seu comprometimento em cumprir a Sua Palavra. O episódio do pecado de Acã mostra a santidade de Deus e como a desobediência poderia trazer maldição, ou seja, o que é santificado por Deus torna-se anátema para o homem que usurpar, fazendo uso indevido do que é santo. Além da morte conturbada de Acã, o pecado oculto leva a uma derrota vergonhosa de Israel na Batalha de Ai. Novamente, é visto com clareza o exercício do juízo divino.
Em Juízes, com a falta de liderança política e espiritual, a religião torna-se com forma (sacrifícios, sacerdócio, festas, etc.), mas sem essência (arrependimento, santidade, comunhão, revelação, etc.), gerando um ciclo que, quando havia arrependimento do povo pela apostasia, Deus se manifestava através de um juiz escolhido por Ele para tirar o povo da opressão dos estrangeiros e legislar no meio deste povo. A manifestação de Deus dependia da conversão da nação dos seus maus caminhos.
Samuel inaugura o Período Profético, que pode ser visto como uma tentativa de Deus Dmostrando que a essência é mais importante que a forma. É a reestruturação religiosa baseada no aspecto básico e essencial da Lei: o arrependimento. O ponto culminante dessa mudança é sentenciado pelo próprio Deus em I Sm.16.7b: “O homem vê o exterior, porém, o Senhor, o coração”. Todos os demais profetas que viriam após Samuel experimentam essa intimidade e compromisso com Deus, sendo usados como canal para a revelação da vontade de Deus em relação à nação de Israel. Eram responsáveis por falar ao povo aquilo que Deus tinha a dizer. Através de um homem escolhido e separado, Deus se revela ao Seu povo, não só pela palavra proferida, como também na realização de atos miraculosos comprovando a presença de Deus na vida daquele homem.
No período da Monarquia, pode-se ver, com o rei Davi, a revelação de Deus ao homem de uma forma completa. Ele personifica o ser humano em ambigüidade cujo ser interior anseia por um relacionamento íntimo com Deus; retrata, também, o modelo de um israelita que experimenta a essência da Lei, usufruindo todas as bênçãos (intimidade) e disciplinas cabíveis neste relacionamento. Assim, pode-se ver Deus rejeitando Saul ao oferecer sacrifícios antes de ir para a guerra, pois Samuel demorava (ato aparentemente correto ou justificável para o ser humano), mas não condenando Davi, que entrou no tabernáculo e comeu o pão santo da proposição juntamente com seus homens, pois tinham fome (ato aparentemente errado). Deus manifesta, novamente, Seu juízo e Sua misericórdia em cada vida, pois sonda e conhece o coração.
Deve-se entender que todo o pensamento judeu em relação à manifestação de Deus pode ser simplificado da seguinte forma: Deus se revela ao homem pela Palavra e gera no homem uma experiência relacional, que gera uma ação exterior, a obediência. Era dessa forma, então, que a nação de Israel conviveu com o Deus que se revelou poderoso, justo, provedor, libertador. Era o Deus Forte das Batalhas, que lutava pelo povo escolhido. O entendimento de Sua graça e misericórdia tiveram lugar apenas para aqueles que ousaram buscar uma intimidade e relacionamento com Deus, pois Deus sempre falou que de nada valiam sacrifícios e holocaustos se os corações continuassem cheios de maldade, ou ainda, que era melhor obedecer que sacrificar.
Mas, ainda assim, Deus continua intervindo na história para cumprir Sua Palavra. Para voltar a se relacionar com o homem, que sempre continuou pecando e distanciando-se de Deus, Ele envia o Messias Prometido, Seu Filho Jesus, inaugurando um novo momento teológico.
Em Jesus, tem-se a revelação maior de Deus: o Seu amor incondicional, que não está em Deus, mas é Deus, pois “Deus É Amor”, capaz de colocar em um só homem todo o pecado e toda condenação que seria destinada à humanidade. É a revelação da graça, do amor, da misericórdia, da benignidade e tantos outros atributos que são vistos em Jesus. E Ele diz: “Quem vê a Mim, vê o Pai”. Então, este é o mesmo Deus que se manifestou desde o início da criação.
Jesus veio mostrar o Deus que cuida dos enfermos, dos pobres, dos necessitados e dos aflitos. Que manda dar a outra face, caminhar a segunda milha, lavar os pés do próximo, socorrer o necessitado, comer com pecadores, valorizar os excluídos socialmente. Ele veio mostrar que a Lei foi feita para o homem e não o homem foi feito para a Lei. Jesus quebrou paradigmas, violou regras farisaicas, mostrou um Reino interior. Jesus, literalmente, foi um revolucionário, despindo os judeus de toda hipocrisia e mostrando o que tem realmente valor para Deus.
Diante de uma aparente ambigüidade, poder-se-ia perguntar: Como um Deus que manda matar, espalha pragas e doenças, leva o povo cativo, não aceita ser contrariado, pode ser o mesmo Deus que mostra amor, mansidão e graça? A resposta pode parecer não ser simples, mas Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é imutável. Ele é o “EU SOU”. Os Seus atributos são maneiras humanas de entender e classificar a revelação divina de acordo com o período histórico, cultural e social, mudando apenas como Deus se faz entender pelo homem em cada época e situação.
Como já dito, a partir do Novo Testamento, a reflexão teológica toma um caminho novo. Nos Evangelhos, Deus é visto no meio do povo, o Emanuel. Em Atos, com a descida do Espírito Santo, Deus passou a habitar dentro de cada cristão. É a presença de Deus dentro e a partir de cada um. Deve-se lembrar que, também nesse período, existem os simbolismos, que consiste na forma da religião: a ceia do Senhor e o batismo, como exemplos.
O Livro de Atos também mostra claramente a soberania de Deus para que Seus propósitos sejam cumpridos. Os cristãos são obrigados a saírem de Jerusalém e, perseguidos e cheios do Espírito, passam a cumprir o que Jesus mandara: levar o Evangelho até os confins da terra. Esse momento histórico é também permeado de milagres realizados pelos discípulos, comprovando a veracidade do Deus que pregavam.
Apesar de ser um período da manifestação da graça e do amor de Deus, da revelação de que Jesus levara os pecados e condenação sobre si mesmo, o pecado continua a ser mostrado, agora à luz da Verdade, pois, em Cristo, nossos erros são revelados para conserto. O episódio de Ananias e Safira, que morreram ao mentir para a comunidade cristã e para o Espírito Santo, mostra que Deus não é conivente com o pecado, apesar da graça e de toda longanimidade. Era um momento histórico em que algo precisa ficar bem estabelecido: a imutabilidade, a santidade e a soberania de Deus.
Dessa forma, podemos afirmar que Deus é o mesmo eternamente, mas, ao traçarmos uma linha cronológica, vemos as diversas formas da manifestação de Deus no decorrer da história, que não podem ser dissociadas umas das outras, mesmo para a reflexão teológica. Podemos, no máximo, investigar qual a expressão de Deus num exato momento para compreendermos o que Deus quer revelar ao Seu povo, mas jamais para estudarmos quem ou como Ele é considerando apenas um determinado período histórico.

Rosane Itaborai Moreira