
No ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento de Darwin, acirra-se a discordância entre a teoria da evolução e o criacionismo. Seria o mundo objeto do acaso e sua evolução ordenada por uma lógica aleatória da natureza ou seria criação de Deus, seguindo seu curso natural e podendo ter interferência de Sua divina vontade?
A visão clássica era de que a ciência explicaria o mundo e com isso não haveria mais necessidade de se recorrer aos aspectos religiosos, mas isso não ocorreu. Apesar de a sociedade valorizar cada vez mais a ciência, as pessoas ainda fazem uso de explicações religiosas para os eventos da natureza e do ser humano.
Como a fé é um fator universal intrínseco ao ser humano, a teoria da evolução de Darwin tem sido refutada em todos os cantos da terra e, como têm surgido novas provas da veracidade da Bíblia, os criacionistas são fortalecidos e aumenta o embate entre as teorias.
É óbvio que a ciência é fundamental para a humanidade e é preciso lembrar que o paradigma evolutivo de Darwin é composto de várias teorias, e algumas delas já estão comprovadas e sendo utilizadas. Mas, o fato de muitos não concordarem com a visão apenas científica para a explicação do mundo é porque ela, sozinha, não consegue responder as questões mais íntimas do ser humano. Além disso, Deus sempre conservará a compreensão da Sua verdade para que a ciência não se sobreponha à Sua vontade. Como Senhor sobre todas as coisas, passará o céu e a terra, mas a Sua palavra não passará (cf. Mt. 24.35).
Os alcances da religião e da ciência são diferentes, sendo a dúvida um pressuposto da ciência e a religião uma questão fundamentalmente de fé. Na ciência, a verdade é transitória, construída paulatinamente e em constante processo de aperfeiçoamento. Pela fé, a verdade é imutável e revelada, nunca construída. A fé não precisa de provas, demonstrações ou argumentos.
A falta de entendimento da natureza distinta dessas duas interpretações do mundo leva alguns a desprezarem a religião, assim como a outros a ignorarem o conhecimento científico. No entanto, elas não são excludentes nem incompatíveis. Deve-se pensar, por exemplo, em vários grandes físicos que eram homens religiosos e sua religiosidade não impedia que eles chegassem a resultados que levassem a novos paradigmas em suas áreas.
No conflito em questão, a fé acaba preenchendo as lacunas não compreendidas pelo darwinismo, o que ajuda a corroborar a contribuição do criacionismo para esclarecer a interrogação. A ciência não esclarece exatamente a origem do universo; também não consegue reproduzir esse momento nem recriar a vida. Esse é um ponto chave, pois, para que um experimento seja considerado científico, entre outras coisas, ele deve poder ser repetido por outras pessoas, em outros lugares, e, dadas as mesmas condições, produzir os mesmos resultados. Exatamente para isso construíram o acelerador de partículas LHC e tentaram reproduzir a vida em laboratório, sendo estes experimentos sem sucesso.
Esse duradouro embate deveria servir de incentivo tanto para a ciência como para a religião, pois o entendimento das duas concepções permite ao homem testemunhar simultaneamente a maravilhosa força criadora de Deus em suas leis naturais e a incrível inteligência e capacidade que Ele nos deu para perscrutar os segredos do universo, o que permitiu o estudo científico de Darwin.
Só entendendo, pela fé e pela lógica, a soberania de Deus na história da humanidade e a limitação da ciência em responder as questões do homem dá para compreender porque um estudo publicado há 150 anos não conseguiu ser totalmente provado por métodos científicos. Bem como porque a Palavra de Deus, escrita há muito mais tempo e inspirada pelo Senhor, jamais conseguiu ser contestada.
Diante de tanta controvérsia e da insistente oposição da ciência, pode-se aplicar a ela o parecer de Gamaliel a respeito de Jesus: “Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus” (At. 5.38,39).
Rosane Itaborai Moreira

