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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A LEI DA GRAÇA

Vivemos num mundo capitalista e, mais do que isso, degenerado pelo pecado; daí a dificuldade de lidarmos com a graça. Não entendemos que Jesus nos deu a vida eterna e não exige nada de nós por isso, apenas que aceitemos gracioso presente.
Não são mais necessários sacrifícios, obras ou lei, pois o sangue de Cristo foi o sacrifício definitivo, obra perfeita e cumprimento final da lei.
Para entender viver na graça de Cristo é necessário compreender Suas palavras. Na parábola da Videira e os ramos, o Senhor diz: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo. 15.5)
Ou seja, apenas sendo totalmente dependente de Cristo, estando ligado íntima e definitivamente a Ele é que se produz resultados na vida cristã, pois até quem faz somente o que é correto será por Jesus rejeitado se não for um discípulo seu.
Nosso julgamento primário não será por nossas obras, e sim por quem escolhemos como Senhor: se foi Jesus Ele sempre nos reconhecerá e viveremos eternamente.
A Lei do Antigo Testamento nos serviu como um “aio”, um condutor que mostrou o nosso pecado e a necessidade da misericórdia e perdão de Deus. Cumprida por Cristo, tornou-se desnecessária e, agora, a lei da Graça resume-se no amor.
Quando os religiosos perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt. 22. 35-37). E ainda os surpreendeu (v. 38): “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”.
Sendo a lei do amor muito mais abrangente do que a lei mosaica, pois sonda as intenções do coração, não conseguimos vivê-la por nossas virtudes, mas somente pelo poder de Deus. Ou seja, apenas se estivermos presos como ramos na Videira, que é Jesus.
Aos cristãos cabe “negar a si mesmo”, “tomar a cruz e seguir”, “caminhar a segunda milha”, “oferecer a outra face”, “vencer as tentações”, só que debaixo da lei do amor, através da graça de Cristo, pois o homem natural não é capaz de atos tão nobres e tamanho desprendimento.
Se quisermos viver a vida abundante e a liberdade que Jesus nos oferece, precisamos aceitar que simplesmente a graça nos salva e que a vida em Cristo, apesar de não ser fácil, é suficiente para garantir bons frutos em nossa caminhada cristã. Somente o amor de Deus deve nos constranger. Sem legalismo, medo do inferno ou do diabo. Apenas pela lei da graça: o amor.

Rosane Itaborai Moreira

Postado em 05/06/2010


segunda-feira, 2 de abril de 2012

O CORDEIRO PASCAL

A Páscoa foi uma festa instituída por Deus em lembrança da libertação dos israelitas da escravidão do Egito. O nome significa passagem, alusão à visita do anjo da morte que eliminou os primogênitos egípcios e preservou os hebreus cujas portas das casas tinham sido aspergidas com o sangue do cordeiro pascal (Ex.12.11-27).
Era uma festa com muitas regras a serem observadas pelo povo. O cordeiro morto tinha que ser sem defeito, novo e macho. Na mesma noite, o cordeiro assado deveria ser comido com pão asmo e ervas amargas, não devendo ser quebrados os seus ossos. Se havia sobra para o dia seguinte, esta devia ser queimada. Durante os oito dias da Páscoa não se podia comer pão levedado. Era tão rigorosa a obrigação da guarda da Páscoa que todo aquele que a não cumprisse seria condenado à morte (Nm 9.13). E aquele que tivesse qualquer impedimento legítimo, como jornada, doença ou impureza, tinha que adiar sua celebração até ao segundo mês do ano eclesiástico. Vemos um exemplo disso no tempo de Ezequias (IICr 30.2-3).
Para os cristãos, Jesus Cristo é o sacrifício da Páscoa. Perfeito e sem pecado. Isso é claro na profecia de João Batista, em Jo. 1.29: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" e na ordem do apóstolo Paulo: "Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado." (1Co 5.7).
Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que foi sacrificado para salvação e libertação dos pecados de todo homem que crê. Para a saída da escravidão do pecado e da morte e entrada na liberdade que nEle há.
Para isso aprouve a Deus que a Sua morte acontecesse exatamente no dia da Páscoa judaica, apresentando de forma clara o paralelo entre o sangue do cordeiro e o sangue do próprio Jesus.
A Páscoa dos hebreus libertou-os da escravidão física e da opressão dos egípcios. O sangue de Jesus nos livrou da escravidão espiritual, do pecado e da morte eterna.
Como Paulo declarou “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). E ainda Pedro: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (IPe. 1.18,19).

Rosane Itaborai Moreira

Postado em 03/04/2010

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O VERDADEIRO RESGATE

No último domingo, 13 de novembro de 2011, o Brasil pode assistir a cobertura completa da retomada das favelas da Rocinha, do Vidigal e Chácara do Céu pelas forças de paz. A ocupação foi um sucesso e, no dia seguinte, o clima já era de tranquilidade. Depois de 40 anos subjugados pelo tráfico de drogas, os moradores do local podem, enfim, ter esperança de uma vida digna e de paz.
Se esse exemplo pontual de resgate da liberdade nos emociona e nos leva a confiar em dias melhores, precisamos entender o valor infinitamente maior do resgate da vida eterna por Jesus, ao retirar o homem do poder do pecado, da morte e da condenação, reconciliando-o com o Pai.
A Palavra de Deus relata que o pecado entrou na humanidade, sujeitando-a à morte eterna e condenação e separando-a de Deus.“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Rm. 5.12); “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23).
Nessa condição, até a própria Lei, dada por Deus como orientação humana, tornou-se objeto de reprovação. “E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou.” (Rm. 7.10,11)
Como éramos escravos do pecado, da morte e da condenação, nosso acesso a Deus era limitado e nosso relacionamento com o Pai estava comprometido. Nossa esperança havia sido anunciada pelos profetas a aguardávamos ansiosamente a vinda daquele que nos resgataria a vida e a liberdade.
Somente uma atitude divina e gratuita seria capaz de liquidar essa dívida, pois isso seria impossível ao homem. E foi essa a missão de Cristo, morrer e pagar a nossa condenação, promovendo a justiça de Deus e conduzindo-nos novamente à vida e à presença do Pai. "Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo" (Rm. 5.17).
O verdadeiro resgate da vida humana foi o que Jesus nos proporcionou na cruz do Calvário. A nossa libertação em Cristo é a conquista da liberdade plena, da dignidade e da vida eterna. É a esperança em dias melhores e a certeza da paz total com Deus, que somente o sangue do Cordeiro pode promover. “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.” (Rm. 5.1,2)

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 11 de dezembro de 2010

MERITOCRACIA E GRAÇA

A sociedade, em especial o mundo empresarial, está acostumada com a meritocracia, sistema que valoriza o mérito e aptidão para se atingir determinada posição. Esse argumento parece cada vez mais óbvio e justo, já que as distinções não se dão por sexo, raça, riqueza ou posição social e sim, pelo merecimento pessoal.
Na época de Jesus, e também hoje em várias religiões, era necessário fazer muitas obras para se alcançar o Reino de Deus. Além do cumprimento da Lei de Deus, os religiosos da época acrescentavam mais exigências, tornando o mérito fundamental e a salvação quase impossível.
Mas o Senhor veio mudar o sistema religioso. Veio trazer uma novidade que nenhuma outra religião possui: a Graça, qua faz com que todos recebam gratuitamente a vida eterna, declarando-os igualmente não merecedores e dependentes do sacrifício de Cristo.
Em Romanos 3, a Bíblia afirma que homem algum nada fez ou pode fazer para alcançar a misericórdia de Deus. “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que crêem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus”. Efésios mostra que ninguém é capaz de ser justificado por si mesmo “porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef. 2.8,9)
A Graça é um sistema que escandaliza o homem, porque é contrário a tudo o que se está acostumado e deixa-o completamente vulnerável. É exatamente o oposto da meritocracia, que recompensa cada um conforme o merecimento. Confiar em si mesmo é mais fácil do que saber que a própria vida está na dependência de outra pessoa, em especial de Jesus.
O que aos olhos da sociedade é óbvio não é a lógica de Jesus. Deus entendeu o homem e a sua impossibilidade de merecer algo, depositou a sua justiça em Cristo e O enviou ao mundo para dar, gratuitamente, a salvação a cada um. Louvado seja o Senhor, pois Seu imenso amor independe das obras humanas!
John Newton foi um homem que entendeu a Graça de Deus. Traficante de escravos do séc. XVIII, certo dia enfrentou uma imensa tempestade. Ao término do ocorrido, comentou que se sentiu tão frágil e desamparado que concluiu que somente a Graça de Deus poderia salvá-lo naquele momento. Resolveu abandonar o tráfico de escravos e tornou-se cristão, o que o levou a compor o hino Amazing Grace (Graça Maravilhosa), famoso na voz de Elvis Presley. Anos mais tarde, Newton disse: "Minha memória já quase se foi, mas eu recordo duas coisas: Eu sou um grande pecador, Cristo é o meu grande salvador." No túmulo de Newton lê-se: "John Newton, uma vez um infiel e um libertino, um mercador de escravos na África, foi, pela misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, perdoado e inspirado a pregar a mesma fé que ele tinha se esforçado muito por destruir".

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 5 de junho de 2010

A LEI DA GRAÇA


Vivemos num mundo capitalista e, mais do que isso, degenerado pelo pecado; daí a dificuldade de lidarmos com a graça. Não entendemos que Jesus nos deu a vida eterna e não exige nada de nós por isso, apenas que aceitemos gracioso presente.
Não são mais necessários sacrifícios, obras ou lei, pois o sangue de Cristo foi o sacrifício definitivo, obra perfeita e cumprimento final da lei.
Para entender viver na graça de Cristo é necessário compreender Suas palavras. Na parábola da Videira e os ramos, o Senhor diz: “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo. 15.5)
Ou seja, apenas sendo totalmente dependente de Cristo, estando ligado íntima e definitivamente a Ele é que se produz resultados na vida cristã, pois até quem faz somente o que é correto será por Jesus rejeitado se não for um discípulo seu.
Nosso julgamento primário não será por nossas obras, e sim por quem escolhemos como Senhor: se foi Jesus Ele sempre nos reconhecerá e viveremos eternamente.
A Lei do Antigo Testamento nos serviu como um “aio”, um condutor que mostrou o nosso pecado e a necessidade da misericórdia e perdão de Deus. Cumprida por Cristo, tornou-se desnecessária e, agora, a lei da Graça resume-se no amor.
Quando os religiosos perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, Ele respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mt. 22. 35-37). E ainda os surpreendeu (v. 38): “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”.
Sendo a lei do amor muito mais abrangente do que a lei mosaica, pois sonda as intenções do coração, não conseguimos vivê-la por nossas virtudes, mas somente pelo poder de Deus. Ou seja, apenas se estivermos presos como ramos na Videira, que é Jesus.
Aos cristãos cabe “negar a si mesmo”, “tomar a cruz e seguir”, “caminhar a segunda milha”, “oferecer a outra face”, “vencer as tentações”, só que debaixo da lei do amor, através da graça de Cristo, pois o homem natural não é capaz de atos tão nobres e tamanho desprendimento.
Se quisermos viver a vida abundante e a liberdade que Jesus nos oferece, precisamos aceitar que simplesmente a graça nos salva e que a vida em Cristo, apesar de não ser fácil, é suficiente para garantir bons frutos em nossa caminhada cristã. Somente o amor de Deus deve nos constranger. Sem legalismo, medo do inferno ou do diabo. Apenas pela lei da graça: o amor.

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 3 de abril de 2010

O CORDEIRO PASCAL


A Páscoa foi uma festa instituída por Deus em lembrança da libertação dos israelitas da escravidão do Egito. O nome significa passagem, alusão à visita do anjo da morte que eliminou os primogênitos egípcios e preservou os hebreus cujas portas das casas tinham sido aspergidas com o sangue do cordeiro pascal (Ex.12.11-27).
Era uma festa com muitas regras a serem observadas pelo povo. O cordeiro morto tinha que ser sem defeito, novo e macho. Na mesma noite, o cordeiro assado deveria ser comido com pão asmo e ervas amargas, não devendo ser quebrados os seus ossos. Se havia sobra para o dia seguinte, esta devia ser queimada. Durante os oito dias da Páscoa não se podia comer pão levedado. Era tão rigorosa a obrigação da guarda da Páscoa que todo aquele que a não cumprisse seria condenado à morte (Nm 9.13). E aquele que tivesse qualquer impedimento legítimo, como jornada, doença ou impureza, tinha que adiar sua celebração até ao segundo mês do ano eclesiástico. Vemos um exemplo disso no tempo de Ezequias (IICr 30.2-3).
Para os cristãos, Jesus Cristo é o sacrifício da Páscoa. Perfeito e sem pecado. Isso é claro na profecia de João Batista, em Jo. 1.29: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" e na ordem do apóstolo Paulo: "Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado." (1Co 5.7).
Jesus Cristo é o Cordeiro de Deus que foi sacrificado para salvação e libertação dos pecados de todo homem que crê. Para a saída da escravidão do pecado e da morte e entrada na liberdade que nEle há.
Para isso aprouve a Deus que a Sua morte acontecesse exatamente no dia da Páscoa judaica, apresentando de forma clara o paralelo entre o sangue do cordeiro e o sangue do próprio Jesus.
A Páscoa dos hebreus libertou-os da escravidão física e da opressão dos egípcios. O sangue de Jesus nos livrou da escravidão espiritual, do pecado e da morte eterna.
Como Paulo declarou “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). E ainda Pedro: “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (IPe. 1.18,19).

Rosane Itaborai Moreira

sexta-feira, 3 de julho de 2009

JESUS E O VÉU


O Tabernáculo era “sombra dos bens futuros”, a representação do que estava sendo preparado através do Messias - a salvação do homem. Simbolizava a pessoa e a maravilhosa obra de Jesus Cristo.
O véu fazia parte do Tabernáculo e era a cortina que fazia separação entre o Santo dos Santos e o Santo Lugar, onde Deus se fazia presente e manifestava a Sua glória. Apenas o sumo sacerdote, uma vez ao ano e totalmente purificado, tinha acesso ao Santo dos Santos, pois, assim como o véu, o pecado havia ocultado Deus do homem.
Muito espesso e de tecido especial, o véu era impossível de ser rasgado por homens. Mas, no momento da morte de Jesus, o véu se rompeu poderosamente de alto a baixo, dividindo-se em dois.
A carne humana de Jesus, contendo os pecados da humanidade, também estava sendo moída e despedaçada. Ele fora ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades (cf. Is. 53.5).
Nesta hora, Deus não poderia estar junto do Seu Filho Amado, pois Ele é Santo. O Pai o havia deixado por um momento e permitiu que sua carne fosse rasgada em favor da humanidade. No seu sofrimento, “Jesus exclamou com grande voz, dizendo: ...Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? E Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.” (Mc. vv. 34,36,37).
No momento da morte, Cristo se sacrificou e nos libertou da condenação e do pecado. Permitiu-nos livre acesso ao Pai. Maravilhosamente, o véu se rasgou e todo homem poderia ver a glória de Deus.
Agora, podemos nos achegar a Deus com fé e confiança. Podemos ter a “ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10.19,20).
A “sombra dos bens futuros” são apenas símbolos daquilo que hoje conhecemos. O véu que separava foi destruído. O pecado foi vencido pelo Senhor.
Em Cristo, nossa comunhão com o Pai foi restaurada. Ele nos resgatou e nos salvou. Ofereceu sua vida em nosso favor. No seu sacrifício, “... o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is. 53.5b).

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SOMOS SANTOS !


No meio religioso, existe a concepção de que a santidade depende do esforço humano. Como se houvesse algum ato do homem que pudesse torná-lo apto a “estar mais perto de Deus” e “ser mais santo”.
A compreensão de santidade para a maioria dos cristãos é farisaica, hipócrita e legalista, que fala mais da luta interior daquele que determina as normas e que acaba por afastar os fracos na fé.
Aprendemos que viver a santidade depende de nossos próprios meios e da observância de regras e condutas. É viver debaixo da lei quando Jesus nos ensinou o caminho da Graça. Essa doutrina tem formado crentes reprimidos e moralmente frustrados, e, o pior, que poderão não estar junto ao Pai na eternidade.
Só podemos entender santidade através da obra de Jesus. Ela é uma condição conquistada na cruz e, para Deus, uma obra definitiva, pois já fomos justificados.
Tendo como fundamento Jesus, que é o Verbo Encarnado, ela não depende do nosso empenho, pois Ele se santificou por nós. O Senhor, em João 17, afirma isso na oração ao Pai: “Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”.
Definitivamente, ser santo é estar em Cristo, e nada mais além disso.
A santificação está intimamente relacionada com a salvação e caminham juntas. Em Jesus, somos santos assim como somos salvos e justificados.
No texto em Filipenses 2.12,13, Paulo diz “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.
O que muitos ensinam como santificação é, na verdade, o termo usado para o caminho da maturidade espiritual, o aperfeiçoamento da salvação/santidade que já recebemos. É a cristificação, transformação gradual do ser humano criado à semelhança de Deus para que chegue à imagem de Jesus Cristo, o qual é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl. 1.15,19).
A partir do momento que Deus nos santifica, o pecado não tem domínio sobre nós e somos livres para fazer nossas escolhas na verdade. E,assim, entendemos que o cristão procura agir corretamente porque é santo; e não o contrário, que ele se torna santo porque sua conduta é correta.
É, até para o chamado de “viver concretamente a santidade” é Deus quem nos capacita e nos supre. Sem esta provisão espiritual a vida cristã é simplesmente impossível de se manter.
O real entendimento da santidade nos possibilita honrar e glorificar a Deus sem nos sentirmos merecedores de reconhecimento. Torna-nos mais humildes e menos juízes dos demais.
Além de nos possibilitar uma caminhada cristã apenas na força do Senhor, tendo como alvo a restauração da imago Dei em nós à semelhança de Jesus.
Sabendo, ainda, que esse processo não desemboca em cumprir regras e condutas exteriores, mas na prática do amor, da tolerância, da misericórdia, da justiça e de todos os demais ensinamentos cristãos.

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PRESENTE MAIOR


A palavra “presente” tem diferentes aplicações e diferentes significados.
O que vem primeiramente à nossa mente é o presente “brinde, mimo, dádiva”, como aquele que nos é dado na época do Natal ou no aniversário. Há também aquele que se relaciona com “comparecimento, apresentação, evidência” de algo ou alguém e denota uma situação real, concreta e física. Outro significado para presente é uma conotação de tempo, “atual, hoje”.
Jesus, em todos os aspectos, é o nosso Presente Maior.
O primeiro é algo que nos é oferecido de graça, sem o nosso pedido e que nos traz alegria e gratidão por nos sentirmos lembrados, queridos e amados. Cristo foi-nos dado por Deus gratuitamente e por amor. Está escrito em Jo. 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. E, através de Jesus, recebemos também a libertação de toda condenação, do pecado e da morte. Ele é o Presente que nos garantiu a liberdade e a vida abundante.
O segundo sentido, “comparecimento”, mostra a presença evidente, nos traz segurança, conforto e certeza de que não estamos sozinhos. Jesus é presente em nosso meio. Ele é real. Veio à terra, morreu, ressuscitou e agora vive. E porque Ele vive podemos ter esperança, crer nas promessas de Deus em nossas vidas e ter a certeza que um dia estaremos diante do Pai. Em Lc. 24. 38,39 vemos Jesus dizendo aos discípulos após sua ressurreição: “Por que estais perturbados? E por que sobem dúvidas ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho”. Em Atos 7.56, Estevão, à morte, disse “Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus”.
Já o terceiro termo é relacionado com o tempo atual, com o dia de hoje. Hoje é o tempo que Jesus nos chama. “Assim, pois, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração como foi na provocação, no dia da tentação no deserto” (Hb. 3.7,8). Nesse exato momento Ele ainda está esperando por cada um por quem Ele morreu.
Jesus, o Presente Maior oferecido por Deus, está sempre presente em nosso meio, aguardando que, no tempo presente, nos acheguemos a Ele e O recebamos em nossos corações com alegria e gratidão.

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O DIA DO DESCANSO


O Dia do Descanso do Senhor é uma questão que gera controvérsia entre alguns grupos religiosos. Por ter Deus ordenado aos israelitas no Antigo Testamento que santificassem o dia de sábado cessando suas atividades, devem os cristãos de hoje também separar este dia? E por que o dia separado atualmente é o domingo?
Biblicamente, Jesus inaugurou um novo tempo, o Período da Graça ou a Nova Aliança, em contraste com o Período da Lei ou a Antiga Aliança.
A Lei foi o sistema de regras estabelecidas por Deus ao povo hebreu; era um pacto com os israelitas. Compreende todos os mandamentos revelados na Bíblia, especificamente no Pentateuco. São os mandamentos morais, civis e cerimoniais dadas por Deus a Moisés para ensinar o povo a viver uma vida separada do pecado. Um dos aspectos da Lei era a guarda do sábado como dia santificado ao Senhor.
A Lei foi estabelecida por Deus para preparar o mundo para receber a promessa da salvação, Jesus Cristo. O Salmo 118.22-24 afirma: "A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular. Foi o Senhor que fez isto e é maravilhoso aos nossos olhos. Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele". Isto se cumpriu quando Cristo foi rejeitado pelos judeus e por fim crucificado (I Pe. 2.7); e também na ressurreição, quando os discípulos, até então tristes, viram Jesus e se alegraram (Jo. 20.19,20). Foi justamente no primeiro dia da semana, um domingo. Depois disso, a igreja começou sempre se reunir aos domingos (At. 20.7; I Co. 16.1,2). Mais tarde, João chama este dia de "Dia do Senhor" (Ap. 1.10).
Como Jesus foi feito Senhor pela ressurreição e isto aconteceu num domingo, agora este dia é considerado o dia separado para o Senhor. Mas isto não foi um novo mandamento estabelecido por Deus, mas um processo natural que se instituiu ao longo dos anos da História da igreja.
O mais importante, no entanto, é o entendimento bíblico e espiritual da extensão do propósito de Deus para a humanidade e não apenas de forma didática e histórica.
Como a Lei serviu para preparar a humanidade para a vinda de Jesus, ela só faz sentido até esse período. Em Gl. 3.23-25 está escrito: ”Mas, antes que viesse a fé, estávamos guardados debaixo da lei, encerrados para aquela fé que se havia de revelar. De modo que a lei se tornou nosso aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”. Este versículo mostra que toda a Lei, que foi cumprida em Jesus, agora está encerrada, sendo sombra do que viria posteriormente, pois ela apenas apontava para Cristo, o qual é muito superior à Lei.
Quando Jesus veio à terra, havia uma excessiva atenção dos judeus ao sábado em detrimento de outros aspectos da Lei. Mas Ele jamais pregou a exigência da guarda do sábado. Não há registro algum em todo o Novo Testamento. Nas situações em que menciona o sábado, Ele o faz para mostrar que a vida em Cristo era muito mais importante. Em Mc. 2.27,28 Jesus afirma: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor”. Com isso, ensinou que o homem tem mais valor que o sábado, e que ele não foi feito para escravizar o homem, pois para Deus o homem vale mais que um simples dia da semana.
O autor aos Hebreus (cap. 4) diz que o nosso descanso ou sábado é Jesus. Por isso Ele se declara Senhor do sábado. A realidade sabática é viver em Cristo – o nosso descanso – e não a guarda legalista de um dia.
A compreensão da Palavra de Deus em toda a sua amplitude nos mostra a eficácia do sacrifício de Jesus. Já não dependemos da Lei e dos sacrifícios do Antigo Testamento para sermos salvos e aceitos diante de Deus. Os que vivem ainda segundo a Lei por ela serão julgados, e não terão a mínima chance de salvação. Somos salvos pela graça, mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, não pelas obras, pelo cumprimento dessa ou daquela ordenança (Ef. 2.8-9). Agora, estamos livres da Lei, para a qual morremos (Rm. 7.6).
Portanto, vivamos na liberdade com a qual Cristo nos libertou, e não tornemos a nos colocar debaixo do jugo da servidão (Gl. 5.1). Vivamos apenas no nosso eterno descanso que se revelou em Cristo Jesus.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

RELIGIÃO, GRAÇA E LEI


A salvação do homem está freqüentemente relacionada à religião a que pertence ou a normas e condutas estabelecidas com este fim. Esta idéia é tão comum que acaba parecendo razoável e até correta. A Bíblia, em especial o Novo Testamento, mostra quão errônea é tal crença.
Em Rm. 1.32 está escrito que “...são passíveis de morte os que tais coisas praticam”, referindo-se a todos os que cobiçam, invejam, mentem, defraudam, vangloriam-se, desobedecem aos pais, etc. Isto atesta que, por si só, é impossível que o homem seja salvo, porque estas coisas, de alguma forma, são inevitáveis a ele.
Nem o merecimento por boas obras nem a moralidade são capazes de garantir ao homem a salvação. O cumprimento da Lei ou o simples julgamento de um fato como mau não livra ninguém da culpa. Antes, a Lei apenas revela o pecado, tornando o homem ainda mais culpado. Está escrito em Rm. 19-20: “...e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.
A religião também não salva o homem. O maior exemplo disto são os próprios judeus. O fato de serem o povo escolhido por Deus, terem recebido a Lei e serem religiosos não lhes garantiu a impunidade. Se pecassem, eram culpados inevitavelmente.
Rm. 2.12 esclarece: “Assim, todos os que pecaram sem lei também sem lei perecerão, e todos os que com lei pecaram mediante a lei serão julgados”.
Onde, então, encontrar a solução? A Bíblia mais uma vez revela: a única esperança para o homem pecador é Jesus Cristo. Ele é nosso Senhor e Salvador. Ela afirma que Deus providenciou a nossa justiça e salvação gratuitamente através da Sua morte e esta não pode ser comprada nem negociada porque é efetivada pela fé. Como está escrito: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou... nos deu vida juntamente com Cristo... Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef. 2.4,5,8,9).

Rosane Itaborai Moreira