"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." (Rm. 11.36)
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sábado, 4 de setembro de 2010
RENÚNCIA: CAMINHO DE BENÇÃOS
“A renúncia é a libertação. Não querer é poder.” (Fernando Pessoa)
Renúncia, no dicionário, tem simples significados: abrir mão, desistir da posse, rejeitar, recusar, não querer, deixar voluntariamente. Na prática, a renúncia talvez seja o maior desafio do cristão.
Estamos acostumados a fazer nossos planos e tomar diariamente nossas decisões. Sentimos segurança nessa atitude. Achamos que, assim, sabemos onde estamos pisando e para onde estamos indo. Queremos, a todo custo, ser donos da nossa própria vida.
Mas o chamado de Jesus é justamente o contrário. Ele nos convida a uma vida de entrega a Deus. E não se trata de uma simples entrega; é a entrega da nossa vida, caminhos e decisões.
O Senhor nos convoca a essa trajetória com autoridade, pois Ele mesmo a trilhou. Sua principal palavra de renúncia foi no Getsemani, próximo da morte: "Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres" (Mc. 14.36).
A Palavra de Deus afirma: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp.2.5-8).
E por que uma vida de renúncia e entrega seria o melhor para o homem?
Porque a queda da humanidade trouxe-nos muitas limitações e o pecado nos impede de fazer escolhas corretas. Somente Deus é capaz de nos guiar para a direção certa e decisões seguras. Compreendendo que somos incapazes e restritos, conseguimos entender a extensão do amor do Senhor e a Sua capacidade de nos oferecer o melhor para nossas vidas.
Tiago (4.13-15) alerta: “Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo.”
Somente a fé na eficácia do sacrifício de Jesus nos permite uma vida de renúncia. Ninguém, em sã consciência, entregaria seu destino a outro, a não ser que conhecesse intimamente a intenção e a capacidade desse novo senhor de sua vida. Paulo entendeu e fez uma declaração que pode nos ajudar: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2.20).
Deixar o Senhor reinar em nós é o ápice da caminhada em Cristo. Essa confiança nos certifica a maturidade cristã, pois somos capazes de devolver a Jesus aquilo que Ele nos ofereceu: a vida.
Também somos participantes com Ele das bênçãos daí advindas. A Jesus, “Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2; 9-11). E a nós, Ele garantiu: “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23.12).
A renúncia de nossos desejos e projetos pode ser extremamente difícil. Para quase todos nós é uma luta diária travada em nossas mentes e corações. Mas é ela que nos liberta e nos livra de nossas próprias escolhas errôneas. Estejamos seguros e determinados a essa ação, com a confiança de que são do Senhor os melhores planos e os melhores desígnios para as nossas vidas.
Rosane Itaborai Moreira
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Rosane Itaborai
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A CRUZ E EU

A Bíblia declara que ser discípulo de Jesus é uma tarefa árdua e incompreendida pela maioria.
Para o mundo, o cristão é alguém estranho, provavelmente insatisfeito e instável e que está desperdiçando a vida. Para os próprios crentes, as exigências para o discipulado são consideradas tão altas que acabam priorizando o aspecto exterior, os chamados usos e costumes. Já para muitos líderes religiosos, tais cobranças passam a ser amenizadas para atrair mais seguidores ou para acalmar suas próprias consciências. Assim, poucos se entregam sem reservas a Deus, indo além da superficialidade religiosa.
Mas o Evangelho afirma o contrário e revela que Jesus requer entrega total de seus discípulos. Ele afirmou: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc. 9.23).
Isso significa que ser discípulo de Cristo não é simplesmente fazer parte de uma comunidade cristã e seguir certas regras.
É necessário um firme propósito – querer Cristo – e uma tomada de decisão – renunciar a si mesmo. Ou seja, negar seus desejos, autoconfiança, sabedoria, capacidade, justiça própria e reconhecer a total dependência do Senhor.
A auto-renúncia é fundamental para que a natureza de Jesus tome forma no cristão. Deve-se dizer como João Batista a respeito de Cristo: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo. 3.30).
É imperativo ainda tomar a cruz e seguir Jesus. É a cruz que distingue a vida do cristão – vida de obediência, de entrega e, se necessário, de sofrimento e vergonha por amor ao Senhor. Não é apenas um ato de fé, mas uma vivência na alma.
Tomar a cruz é ter uma vida rendida e dedicada a Deus. É uma decisão dolorosa, mas voluntária, fruto do coração que reconhece a necessidade da mortificação do próprio eu para uma nova vida em Cristo.
W. Chantry diz com firmeza: “A morte na cruz pode ser muito lenta, mas a cruz tem um objetivo – tenciona trazer, de modo cruel, o “eu” à morte”. A cada dia, o cristão tem sua vontade e sua vida submetidas a Deus, que o aperfeiçoa conforme a imagem do Seu Filho Jesus.
Muitos ensinam o tomar a cruz como etapa secundária para uma maior espiritualidade, como se não fosse exigido do simples crente. Puro engano dos que querem baratear o Evangelho. A necessidade da cruz é para todos, independente de idade, tempo de conversão, ministério, condição sócio-financeira – todos precisam mortificar o ego na caminhada cristã.
Não se vive para Jesus sem morrer para o mundo. Não se pode tê-lo como Senhor e querer agradar a si mesmo. Ele mesmo disse: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt. 16.25).
Tozer afirmou que Jesus tem que proporcionar em nós o morrer. Paulo declara “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”; e, depois, “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl. 2.20a; 5.24).
O chamado de Cristo é definitivo e preciso – para uma caminhada consciente, voluntária e constante, onde o cristão toma sua cruz para que a cruz esmague o seu ego, permitindo a Deus imprimir-lhe o caráter de Jesus, “para que haja o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fp 2. 5-8)
Rosane Itaborai Moreira
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