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quinta-feira, 3 de março de 2011

O ALVO DO CRISTÃO

Segundo o dicionário, caráter é um conjunto de qualidades, boas ou más, que distinguem uma pessoa. Em linguagem comum, o termo decreve os traços morais da personalidade. Assim, toda a forma de pensar e agir, independente de estar a sós ou sendo observado, é traço característico do caráter de um indivíduo.
A Bíblia diz que devemos buscar o caráter de Cristo; que este deve ser nosso alvo. E essa transformação não é atingida imediatamente; ela é fruto de uma busca contínua e persistente, e nem sempre confortável. No entanto, ao nos dispormos, Deus age em nossas vidas e vai nos aperfeiçoando à Sua imagem e semelhança. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2Co. 3.18)
Essa disposição em direção à busca do caráter de Jesus só se inicia quando há a percepção de que somos imperfeitos e que necessitamos de aprimoramento tendo o Senhor como exemplo e alvo. Ao entendermos os nossos defeitos e a excelência de Cristo, podemos abrir mão de nossos desejos e permitir o tratamento de Deus.
O primeiro gesto do homem que busca ser semelhante a Cristo é se humilhar diante da grandiosidade e perfeição de Deus. A iniciativa é nossa, mas, como já foi dito, não alcançaremos nosso intento por nós mesmos, e sim pela ação do Espírito Santo. Não será um trabalho humano, mas divino e sobrenatural.
Jesus afirma em João capítulo 15 que Ele é a videira e nós, a vara; e que o Pai limpa toda vara que dá fruto, para que dê mais frutos ainda. Essa é a garantia que temos: que é o próprio Deus age em nossas vidas para que cheguemos “a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Ef. 4.13).
Nesse processo, uma coisa muito interessante acontece: a medida que conhecemos a Deus e somos por Ele transformados vamos percebendo o quando necessitamos, ainda mais, de sermos limpos e aperfeiçoados.
Aos poucos, Deus vai moldando nosso caráter, retirando nossos traços indesejáveis e melhorando nossas virtudes. A única condição é a persistência em permanecer em Cristo, buscando-O e reconhecendo a nossa condição de dependência.
Devemos lembrar que há um propósito maior quando Deus nos ensina buscar ser igual ao Senhor. E esse propósito não é apenas o nosso testemunho terreno nessa vida, mas também a nossa vida eterna. Não podemos nos esquecer que não findaremos com a morte; viveremos com Jesus. Ainda mais por isso, devemos nos manter firme em direção ao alvo, pois com Ele também reinaremos eternamente.

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O REINO DE DEUS

Seguir a Jesus é uma atitude corajosa, que exige renúncia e determinação. O Reino de Deus, verdadeiramente, não é daqui. Os seus valores não são os do mundo. Ao contrário, os valores enaltecidos no Reino são desprestigiados e repudiados por nossa sociedade.
No Magnificat de Maria, ela declara sua esperança em relação ao novo reino que se apresentava:
“Porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é seu nome.
E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem.
Com o seu braço agiu valorosamente; dissipou os soberbos no pensamento de seus corações.
Depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.
Encheu de bens os famintos, e despediu vazios os ricos.” (Lc. 1.49-53)
A vinda do Deus encarnado à terra marcou a instauração do Seu Reino não apenas na Palestina, mas em todo lugar que tiver a presença de cada um de seus seguidores.Afinal, ele existe primeiramente dentro de cada um de nós.
O Seu Reino não determinou somente uma nova ordem social, como também estabeleceu novos conceitos morais, espirituais e relacionais. Revolucionou a sociedade da época e todas as épocas que vieram após sua vinda.
Assim sendo, as declarações de Jesus devem encontrar lugar em nossos corações e em nossos atos para que promovam mudança no mundo.
O Senhor elogiou a viúva pobre que dera todo o seu sustento, apesar de serem apenas duas moedas. Considerou “próximo” o samaritano, desprezado historicamente pelos judeus. Desvalorizou a religiosidade do jovem rico, mostrando que o entendimento da lei ultrapassava as aparências. Declarou felizes os mansos, injustiçados, perseguidos, puros e aqueles que choram. Ensinou o perdão, a renúncia e a misericórdia. Amou os pecadores e os desprezados. Por isso, e muito mais, enfureceu os judeus, que sentiram-se afrontados e ameaçados pela grandeza e veracidade de suas afirmações e atitudes.
Somos, igualmente, como discípulos de Cristo, convidados a revolucionar a sociedade, a não seguir os seus padrões. Afinal, pertecemos ao Reino de Deus, um reino que tem Jesus no comando, cujas regras e leis não se dobram ao poder, conhecimento e riqueza humanos.
O Reino, ao contrário, é regido pelo amor, justiça e misericórdia; requer que nos esvaziemos de nós mesmos e nos submetamos ao Senhor, que caminhemos a segunda milha e ofereçamos a outra face. Exige que nossa vida seja o testemunho vivo do senhorio de Cristo.
Fazer parte do Reino de Deus é ser o sal da terra e a luz do mundo, ser daqueles que não se dobram e “têm alvoroçado o mundo, ... estes procedem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.” (At. 17.6,7)

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

POR DIAS MELHORES

As novas gerações sempre foram alvos de esperança de dias melhores. É natural desejar que, entre os jovens, surjam muitos que irão indignar-se com situações difíceis e liderar movimentos de mudança.
Apesar de não estar entre eles, necessariamente, a melhor solução, é o encontro do antigo com o novo que amplia os horizontes e traz outras possibilidades. E são eles que podem dar nova direção às diversas áreas da sociedade.
No entanto, a pós-modernidade é marcada por uma juventude bem diferente das anteriores. Ela não é mais inconformada com o presente e nem apresenta a preocupação em construir um futuro melhor. Não está interessada com o legado que irá deixar, com a história que irá edificar nem com as mudanças que irá produzir.
Não, os jovens dos dias atuais são marcados pela experiência sensorial, interessados no sentimento que irão provar e não têm perspectiva de futuro para eles mesmos.
Isso se reflete também na vida cristã, pois eles também tendem, na vida religiosa, a buscar apenas as sensações da próxima vivência e a não se preocupar com o fundamento e a essência do Cristianismo.
O grande desafio da igreja é resistir à tentação de se adaptar a esse momento. Não devemos, ou melhor, não podemos nos preocupar em oferecer a essa geração um modelo religioso que preencha às suas necessidades. Isso só iria produzir jovens mais vazios e imaturos, sem compromisso e sem convicção. E, como consequência, estaria sendo incentivada uma igreja sem identidade e marcada pela vulnerabilidade.
Ao contrário, trata-se de uma oportunidade preciosa, pois a falta de sonhos e objetivos concretos desequilibra a juventude, podendo produzir novos rumos e expectativas por dias melhores. Temos a obrigação de continuar apresentando-lhe Jesus como uma experiência real e a única solução para as suas angústias, desesperanças e anseios intermináveis por novas sensações.

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 13 de julho de 2010

CONSELHO SÁBIO


“Se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia” – este ditado popular reflete o quanto o ser humano, apesar de sempre ter vivido em agrupamentos, é um ser individualista, desconfiado e, hoje, totalmente adaptado ao sistema capitalista. Nada bom é de graça.
Por outro lado, o homem é um ser incompleto, inseguro e angustiado no seu íntimo, e o bom conselho torna-se uma necessidade em certos momentos da vida. De conselhos simples a conselhos que envolvem grandes decisões, o ser humano precisa ver no outro as suas ideias refletidas, aprovadas, elaboradas ou até rejeitadas.
O outro é o canal para o homem falar a si mesmo, se ouvir, se conhecer e decidir as suas questões. Alarga horizontes e muda a disposição mental. Este outro pode ser um amigo, um irmão em Cristo, um pastor...
Felizmente, ainda existem aqueles que escutam e aconselham sem negociar financeiramente seu tempo. Que se colocam ao dispor do outro e, além do conselho, proporciona-lhe o resgate da auto-estima e esperança em dias melhores. Conselho sincero, coerente, com base confiável sempre vale a pena. Favorece o equilíbrio e a restauração do indivíduo.
Em toda a Bíblia encontramos referências valorizando o conselho sábio. Seja em versículos que falam diretamente sobre o assunto ou em relatos em que percebemos o valor do bom aconselhamento. A Bíblia, além de conter inúmeros exemplos de conselheiros, como Moisés, nos fala em Pv. 11.14: “...na multidão de conselhos há sabedoria”. Ou, como diz outro dito popular: “Duas cabeças pensam melhor do que uma".

Rosane Itaborai Moreira

terça-feira, 1 de junho de 2010

MARCA DE CRISTO


No Evangelho de Lucas (Lc. 7.20), há o relato de que João Batista enviou alguns dos seus discípulos até Jesus com uma questão: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?”. Ao que o Senhor respondeu: “Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho” (Lc.7.23).
Diante dessa palavra, podemos olhar para nossa própria vida e perguntar: Minhas atitudes demonstram a minha escolha por Jesus? Sou um cristão verdadeiro, capaz de mostrar o Senhor a todos aqueles que dEle necessitam, a qualquer hora e em todo lugar?
Onde Cristo está há sinais de sua presença, e qualquer dúvida é imediatamente dissipada diante das marcas que a evidenciam. Onde Jesus está os maiores milagres acontecem: vida restaurada, libertação de vícios e pecados, arrependimento, perdão, conversão, vida eterna...
Não podemos ser cristãos sem refletir a glória de Deus. Quem conhece a Cristo e se decidiu por Ele, inevitavelmente irá externar tal relacionamento e mostrar ao mundo as provas de Jesus.
O próprio Senhor advertiu a seus discípulos: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mt. 5.13-16)

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

DIZIMAR COM ALEGRIA


O dízimo é um tema que vem sendo deturpado ao longo da História.
Transformado de contribuição voluntária em obrigação desde que a igreja se ligou ao Estado, passou a ser meio de manipulação pelos líderes e motivo de críticas e piadas, confundindo o cristão sincero.
Mas, independente dos erros e absurdos, frutos de ganância e abuso de poder, é necessário entender que a igreja não sobrevive de forma organizada sem contar sistematicamente com a contribuição dos membros. Ela não pode servir se não possuir uma estrutura adequada.
Os ensinamentos bíblicos sobre contribuição financeira voluntária mostram que os cristãos são livres para ofertar ou não ofertar, que valor para Deus importa menos que sinceridade do coração e desejo de contribuir, que não há patamar mínimo exigido, que Deus ama quem dá com alegria.
Nenhum homem hoje tem o direito de estipular para os outros a quantia ou percentual de renda que o cristão deve contribuir. Mas cada um deve pensar e avaliar bem sobre o privilégio e a responsabilidade de ser participante e contribuinte com o trabalho do Senhor.
Uma vez que tudo é melhor na Nova Aliança, seria justo e correto diminuirmos nossas contribuições financeiras? Será que a nossa gratidão não nos torna mais generosos, desejosos que o Evangelho alcance outras vidas?
O cristão não é chamado a barganhar com Deus, a dar pensando em quanto Ele multiplicará sua vida financeira. O cristão é chamado a se relacionar intimamente com seu Pai, a fazer o melhor para Ele, a serví-Lo com amor e singeleza de coração.
O Senhor não cobra além da possibilidade de cada um. Jesus honrou a viúva pobre ao dizer a Seus discípulos: “Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofiláceo mais do que fizeram todos os ofertantes. Porque todos eles ofertaram do que lhes sobrava; ela, porém, da sua pobreza, deu tudo quanto possuía, todo o seu sustento” (Mc 12.43,44).
O Deus que nos ama sem exigir sacrifícios é fiel e nos abençoa com muito mais do que pensamos e pedimos, conforme o Seu poder que opera em nós.
Apesar de Deus não habitar em templos feitos por homens, a igreja local é, e deve ser, o ajuntamento do Seu povo, local abençoador de inúmeras vidas, onde se prega e se ensina a viver a Sua Palavra, de onde missionários são enviados para propagar o Evangelho. Local onde se busca alimento espiritual e conselhos sábios. Para alguns, é o único lugar onde encontram os amigos e se divertem.
Assim, investir com alegria na igreja local é investir no Reino de Deus e cumprir o Seu propósito.
Os erros e abusos cometidos por muitos serão julgados por Deus. Aos cristãos, cabe aplicar os critérios bíblicos e o discernimento do Espírito.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A CRUZ E EU


A Bíblia declara que ser discípulo de Jesus é uma tarefa árdua e incompreendida pela maioria.
Para o mundo, o cristão é alguém estranho, provavelmente insatisfeito e instável e que está desperdiçando a vida. Para os próprios crentes, as exigências para o discipulado são consideradas tão altas que acabam priorizando o aspecto exterior, os chamados usos e costumes. Já para muitos líderes religiosos, tais cobranças passam a ser amenizadas para atrair mais seguidores ou para acalmar suas próprias consciências. Assim, poucos se entregam sem reservas a Deus, indo além da superficialidade religiosa.
Mas o Evangelho afirma o contrário e revela que Jesus requer entrega total de seus discípulos. Ele afirmou: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me” (Lc. 9.23).
Isso significa que ser discípulo de Cristo não é simplesmente fazer parte de uma comunidade cristã e seguir certas regras.
É necessário um firme propósito – querer Cristo – e uma tomada de decisão – renunciar a si mesmo. Ou seja, negar seus desejos, autoconfiança, sabedoria, capacidade, justiça própria e reconhecer a total dependência do Senhor.
A auto-renúncia é fundamental para que a natureza de Jesus tome forma no cristão. Deve-se dizer como João Batista a respeito de Cristo: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo. 3.30).
É imperativo ainda tomar a cruz e seguir Jesus. É a cruz que distingue a vida do cristão – vida de obediência, de entrega e, se necessário, de sofrimento e vergonha por amor ao Senhor. Não é apenas um ato de fé, mas uma vivência na alma.
Tomar a cruz é ter uma vida rendida e dedicada a Deus. É uma decisão dolorosa, mas voluntária, fruto do coração que reconhece a necessidade da mortificação do próprio eu para uma nova vida em Cristo.
W. Chantry diz com firmeza: “A morte na cruz pode ser muito lenta, mas a cruz tem um objetivo – tenciona trazer, de modo cruel, o “eu” à morte”. A cada dia, o cristão tem sua vontade e sua vida submetidas a Deus, que o aperfeiçoa conforme a imagem do Seu Filho Jesus.
Muitos ensinam o tomar a cruz como etapa secundária para uma maior espiritualidade, como se não fosse exigido do simples crente. Puro engano dos que querem baratear o Evangelho. A necessidade da cruz é para todos, independente de idade, tempo de conversão, ministério, condição sócio-financeira – todos precisam mortificar o ego na caminhada cristã.
Não se vive para Jesus sem morrer para o mundo. Não se pode tê-lo como Senhor e querer agradar a si mesmo. Ele mesmo disse: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á” (Mt. 16.25).
Tozer afirmou que Jesus tem que proporcionar em nós o morrer. Paulo declara “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”; e, depois, “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gl. 2.20a; 5.24).
O chamado de Cristo é definitivo e preciso – para uma caminhada consciente, voluntária e constante, onde o cristão toma sua cruz para que a cruz esmague o seu ego, permitindo a Deus imprimir-lhe o caráter de Jesus, “para que haja o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Fp 2. 5-8)

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ALEGRIA NA ADVERSIDADE


Em tribulações e adversidades, quando a fé de um cristão é colocada à prova, vivem-se sentimentos de tristeza, angústia, dúvida, desânimo, derrota. Mas, a Bíblia afirma que também se pode experimentar a alegria nesses momentos. Tiago escreve: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes” (Tg 1:2-4).
A adversidade é importante porque testa a fé; expõe a natureza e a qualidade desta fé. Revela se foi adquirida em meio a conhecimento e entendimento genuíno da Palavra, ou se foi “contraída” nas reuniões estilo neopentecostais, ou se tal fé serviu somente para atender às necessidades pessoais urgentes. A fé do crente pode ser confirmada, reprovada, ou, ainda, considerada imatura e sujeita a novas provas.
A fé aprovada é motivo de muita alegria e fornece a perseverança. A perseverança se traduz em consistência, constância e persistência na vida do cristão, independente das cirscunstâncias.
Esse cristão continua seu caminho com firmeza na maturidade espiritual, crendo na plenitude do Evangelho. Ele não desanima de sua fé, não é levado por vento de doutrina ou por engano dos homens. Ele persiste na Cruz de Cristo, e não desiste da Palavra que salva e liberta.
Ao ter sua vida e seus valores construídos também na adversidade e diante de Deus, o homem tem suas experiências ampliadas e uma vida mais completa. As tribulações levam ao aprendizado prático de questões como a necessidade da oração, o valor do perdão, o peso do pecado, a importância do outro, a fragilidade humana, a misericórdia de Deus... A adversidade produz maturidade que o torna capaz de discernir o real valor das coisas e das pessoas, fortalecendo o caráter cristão.
Enfim, nos momentos de tribulações, podemos sentir alegria ao trazer à memória este texto de Tiago, que nos dá a esperança de sermos pessoas melhores, mais maduras e íntegras depois de termos nossa fé provada e confirmada.

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 11 de junho de 2009

SOMOS SANTOS !


No meio religioso, existe a concepção de que a santidade depende do esforço humano. Como se houvesse algum ato do homem que pudesse torná-lo apto a “estar mais perto de Deus” e “ser mais santo”.
A compreensão de santidade para a maioria dos cristãos é farisaica, hipócrita e legalista, que fala mais da luta interior daquele que determina as normas e que acaba por afastar os fracos na fé.
Aprendemos que viver a santidade depende de nossos próprios meios e da observância de regras e condutas. É viver debaixo da lei quando Jesus nos ensinou o caminho da Graça. Essa doutrina tem formado crentes reprimidos e moralmente frustrados, e, o pior, que poderão não estar junto ao Pai na eternidade.
Só podemos entender santidade através da obra de Jesus. Ela é uma condição conquistada na cruz e, para Deus, uma obra definitiva, pois já fomos justificados.
Tendo como fundamento Jesus, que é o Verbo Encarnado, ela não depende do nosso empenho, pois Ele se santificou por nós. O Senhor, em João 17, afirma isso na oração ao Pai: “Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”.
Definitivamente, ser santo é estar em Cristo, e nada mais além disso.
A santificação está intimamente relacionada com a salvação e caminham juntas. Em Jesus, somos santos assim como somos salvos e justificados.
No texto em Filipenses 2.12,13, Paulo diz “... desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.
O que muitos ensinam como santificação é, na verdade, o termo usado para o caminho da maturidade espiritual, o aperfeiçoamento da salvação/santidade que já recebemos. É a cristificação, transformação gradual do ser humano criado à semelhança de Deus para que chegue à imagem de Jesus Cristo, o qual é “a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Cl. 1.15,19).
A partir do momento que Deus nos santifica, o pecado não tem domínio sobre nós e somos livres para fazer nossas escolhas na verdade. E,assim, entendemos que o cristão procura agir corretamente porque é santo; e não o contrário, que ele se torna santo porque sua conduta é correta.
É, até para o chamado de “viver concretamente a santidade” é Deus quem nos capacita e nos supre. Sem esta provisão espiritual a vida cristã é simplesmente impossível de se manter.
O real entendimento da santidade nos possibilita honrar e glorificar a Deus sem nos sentirmos merecedores de reconhecimento. Torna-nos mais humildes e menos juízes dos demais.
Além de nos possibilitar uma caminhada cristã apenas na força do Senhor, tendo como alvo a restauração da imago Dei em nós à semelhança de Jesus.
Sabendo, ainda, que esse processo não desemboca em cumprir regras e condutas exteriores, mas na prática do amor, da tolerância, da misericórdia, da justiça e de todos os demais ensinamentos cristãos.

Rosane Itaborai Moreira

domingo, 24 de maio de 2009

COMPAIXÃO, FONTE DE ESPERANÇA


Experimentar a compaixão em nossa vida é enxergar o amor e o cuidado de Deus. É perceber que ainda resta um fio de esperança na humanidade e um pouco de humanidade nos corações sempre tão endurecidos. Muito diferente do sentimento de pena ou dó, que não edifica nem promove comprometimento, mas reforça o individualismo.
O olhar de compaixão jamais pode ser comparado, nem de longe, ao olhar de pena.
O olhar de compaixão aproxima, coloca-nos no lugar do outro e permite que a dor alheia encontre em nós a mesma dor, ainda que escondida no íntimo do nosso ser.
O olhar de pena, não. É o olhar distanciado, daquele que se considera superior, numa situação privilegiada. Sentir dó é ver o sofrimento alheio, mas não enxergar o outro em sua dor.
Com certeza, é muito mais fácil e comum sentirmos pena dos outros. Não nos compromete, não nos envolve. Podemos até oferecer ajuda material para aplacar a culpa da indiferença.
Diante de um mendigo, podemos dar-lhe um trocado sem nem enxergá-lo, ou podemos lançar-lhe, também, um olhar de amor e misericórdia. Com certeza, o dinheiro será útil, mas, sozinho, não trará esperança e conforto. Ao visitar um doente num hospital, podemos levar-lhe flores ou biscoitos, mas estar ali, junto dele, compartilhando a tristeza e o sofrimento, será um remédio mais valioso para a cura.
A falta de compaixão num indivíduo encontra eco no falso moralismo, na acomodação, na vergonha de se expor, no medo de julgamento, mas tem como ponto fundamental o egoísmo.
Na parábola, o levita e o sacerdote agiram em causa própria e não se importaram com o seu próximo. Viram o homem e, provavelmente, tiveram pena dele. Mas, tinham coisas a perder que lhes pareciam mais valiosas do que uma vida e passaram direto, sem oferecer ajuda.
O samaritano não considerou imposições ou barreiras externas, simplesmente permitiu Deus ser revelado em sua vida através da compaixão. Agiu movido pela necessidade do outro. O sofrimento alheio encontrara lugar em seu coração.
Dó é frieza, compaixão é calor humano. Dó é egoísmo, compaixão é amor. A compaixão é, acima de tudo, a manifestação de Deus através do homem.
Somente quem se viu ferido, desprezado ou perdido sabe o valor de um ato de compaixão, sem julgamento e de forma incondicional.
Jó, em sua angústia, teve amigos que se achegaram a ele, mas que não conseguiram entender a necessidade de ter sua dor compartilhada e compreendida. Para confortá-lo, era necessário encontrar no âmago dos seus corações a mesma dor que se instalara na vida de Jó.
Jesus foi o exemplo maior de compaixão. Em sua vida aqui na terra, sofreu com os humilhados, fracos e angustiados. Entendeu sua dor, incapacidade e destino. As pessoas sofridas eram enxergadas pelo próprio Jesus, que tomava a iniciativa de aliviá-las e confortá-las.
Em sua morte, Ele colocou-se em nossa condição. E ainda foi além da compaixão, pois não sofreu “junto a nós” os nossos castigos, mas “em nosso lugar”.
Passar por problemas, sofrimentos e angústias é inevitável para todos nós. Mas, é consolador saber que podemos passar por estes momentos tendo uma mão abençoadora estendida em nossa direção. E, da mesma forma, podemos nos doar e sermos participantes do sofrimento do nosso próximo.
A compaixão é a forma mais nobre e bondosa de revelarmos o grande amor e cuidado de Deus pela humanidade e a esperança aos corações perdidos e necessitados!

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 9 de abril de 2009

AMOR AO DINHEIRO




“O homem mais pobre que conheço é aquele que não tem nada mais do que dinheiro.”
John D. Rockefeller





Propagandas elaboradas, vitrines iluminadas, carros importados, celulares modernos, roupas caras, pessoas lindas e bem-sucedidas... Tudo isso induz o homem a colocar sua expectativa e esperança nos desejos materiais que nunca são preenchidos, pois não satisfazem sua real necessidade.
Os cursos de especialização em marketing, em artigos de luxo e em produtos de consumo crescem a cada dia, garantindo a perpetuação deste mercado sedutor. Até nas igrejas existe tal oferta, ainda que disfarçada de “dádiva de Deus”, “obrigação do Senhor” ou “devolução do diabo”.
Satisfazer as necessidades de consumo é hoje prioridade para a maioria das pessoas; no entanto, seus corações correm o risco de serem moradas do que Paulo advertiu e condenou: o amor ao dinheiro. “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Tm. 6.10).
O resultado dessa idolatria é sempre destrutivo, levando o ser humano ao aprisionamento, sofrimento e morte espiritual. Pois, “...cada um é tentado, pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg. 1,14,15).
Na Bíblia, encontram-se relatos de pessoas que foram envolvidas pelo amor ao dinheiro e tiveram trágico destino: Judas Iscariotes ao trair Jesus, Ananias e Safira ao mentir para o Espírito Santo, Geazi ao ser seduzido pela oferta de Naamã.
Simão, o mágico, ao desejar comprar o poder do Espírito Santo, foi repreendido por Pedro: “O seu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus” (At. 8.20). Até no templo a busca pelo dinheiro era favorecida (cf. Jo. 2.15), o que mereceu a intervenção enérgica de Jesus.
Aquele que é seduzido pela riqueza torna-se dela amante e escravo: “porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”, adverte Jesus (Mt 6.21). E logo depois declara: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”.
Jesus disse que cuidaria de cada um dos seus, que estes não precisariam viver frenética e ansiosamente atrás de coisas materiais, porque o mais importante é o Reino de Deus.
Este cuidado divino tem sido rejeitado pelos cristãos. Todos se ocupam em atender aos seus prazeres e desejos e se esquecem de que estão se afastando do Senhor. Com discurso de uma “necessidade real e urgente”, estão trocando de deus.
Mas, o poder do dinheiro é ilusório e tira o homem do que deveria ser seu foco principal. Desvia-o de suas riquezas verdadeiras, ou seja, virtudes, descanso, paz, família, amigos e, principalmente de Deus.
A fé e o amor ao Senhor precisam ser demonstrados na prática. Os conceitos do mundo não podem ser os conceitos dos crentes em Cristo. Por isso, é dito na Bíblia que entrar no Reino de Deus é tão difícil; requer desprendimento das coisas materiais, prioridade em amar a Deus e renúncia aos próprios desejos.
Os verdadeiros cristãos têm pela frente esta batalha a travar: resistir às tentações diária e sedutoramente oferecidas pelo maligno através da sociedade de consumo, já que é nele que o mundo jaz.
A frase de John Wesley, avivalista inglês, resume bem este dilema: “Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa do que a maneira como ela usa o dinheiro, pois a verdadeira medida de nossa riqueza está em quanto valeríamos se perdêssemos todo nosso dinheiro. Por isso, quando tenho um pouco de dinheiro, livro-me dele tão logo seja possível, para que ele não encontre o caminho do meu coração”.
O coração de todo cristão deve ser preenchido pelo seu imenso amor ao Senhor a ponto de não haver lugar para outro deus em sua vida.

Rosane Itaborai Moreira

sábado, 14 de fevereiro de 2009

LIVRES EM CRISTO




“Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos.” Martinho Lutero




Um grande anseio do ser humano é ser livre.
Muitos consideram que a liberdade é conquistada quando se pode fazer tudo o que se quer, até mesmo transgredir regras sociais, morais e legais. É essa falsa liberdade que acaba enredando-os numa sociedade ditadora e consumista, pois a procuram através do sexo, compras, baladas, drogas, etc... Pensam que estão exercendo a tão almejada liberdade, mas não sabem o quanto seus sentimentos, suas mentes e seus desejos estão enclausurados e prisioneiros desse sistema maligno que atua na coletividade, transformando o mal em bem, e até mesmo, em necessário. Desconhecem ou não aceitam a herança de Deus, pois “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1.13).
A ação maligna acontece exatamente como no Éden, através do desejo e tentação. Gn. 3.6 narra a queda do homem: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu”. Adão e Eva exerceram o livre-arbítrio segundo os seus prazeres, ficando sujeitos à morte e ao pecado e, com eles, toda a humanidade. É esse o destino dos ímpios, a condenação.
Outros consideram a liberdade apenas no futuro, quando serão recompensados por suas renúncias. São aprisionados por leis e regras de instituições humanas. Com a roupagem de "moral cristã", em muitas igrejas evangélicas, o que acontece é o cerceamento da liberdade através do legalismo, da imposição de normas que vão além da Bíblia, que torna o homem refém de todo um sistema religioso falsificado. Assim era na época de Jesus, quando os fariseus foram chamados por Ele de "sepulcros caiados" e acusados de "coarem mosquitos e engolirem camelos", tamanha era a falsidade e a incoerência do Judaísmo.
O legalismo também é um engodo maligno, pois maquiam a verdade e impede os questionamentos individuais. Nada mais absurdo do que um homem dizendo a outro o que se deve fazer, vestir, comer, ler, ouvir... É dessa forma que tais igrejas manipulam seus membros, tirando-lhes o livre-arbítrio e deixando-lhes de ensinar a conquista de Jesus.
Não se pode permitir que o aprisionamento da religião predomine sobre a liberdade em Cristo, pois, conforme Paulo “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permaneceis, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão” (Gl. 5.1). Ainda, em Rm. 14.13,14, ele é contundente: “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura”. E ainda: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” (Rm. 14.22).
O homem que se deixa aprisionar é aquele que se sente incapaz de fazer escolhas livremente, sem a limitação de preceitos pré-estabelecidos, sejam eles mundanos ou religiosos.
Ser livre é uma grande bênção de Deus. Liberdade com consciência cristã nos leva a um caminho seguro. A Bíblia fala que a liberdade deve ser desempenhada conscientemente, e não pode ser usada para a prática do pecado (cf. Rm. 6.15). Os maduros na fé devem considerar os fracos e terem prudência e temor. Pode-se até ignorá-la circunstancialmente por amor aos irmãos e ao Evangelho de Cristo, mas nunca por imposição de homens.
A liberdade cristã só tem uma regra: a lei do amor. Do amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. Sem amor nada pode ser exercido, nem mesmo as instruções bíblicas em relação à liberdade, pois sua observância só interessa se o amor estiver presente para legitimá-la. "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede antes servos uns dos outros pelo amor. Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gl 5. 13,14). Para Jesus, não há lei sem amor, pois isso se resumiria em aparência e legalismo.
Somente em Cristo encontramos a tão desejada liberdade. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo. 8.36). E essa liberdade não é como a do mundo, efêmera e pecaminosa, nem como o legalismo religioso, enganoso e condenatório. A liberdade através de Jesus, ao contrário, é legítima, responsável e permanente. Ele libertou-nos da morte, do pecado, da condenação. Concedeu-nos vida e vida em abundância. A nós cabe entender a grandeza dessa conquista e exercê-la com consciência e amor.

Rosane Itaborai Moreira

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

PROMESSA DE DEUS


O conhecido versículo bíblico “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8.28) apresenta a soberania de Deus na vida dos Seus filhos à qual só podemos responder com a confiança plena de que essa verdade se cumprirá.
Esse versículo é a promessa de que o Senhor conduz as nossas vidas com o cuidado de quem nos toma pelas mãos em todas as situações. Nele, Paulo afirma que todas as circunstâncias são transformadas em nosso favor para que sejamos conformes à imagem de Jesus. As vitórias e alegrias bem como os sofrimentos, desafios, derrotas e enfermidades são situações que irão nos beneficiar através da intervenção divina. Como está escrito: "Em todas estas coisas, porém, somos mais do que vencedores, por meio daquele que nos amou" (Rm. 8.37). Ele é a afirmação de que Seu Reino já está estabelecido na vida de Seus herdeiros. É a garantia de que Deus irá cuidar, ensinar, orientar e corrigir cada um de nós.
Mas, também segundo o versículo, os beneficiados dessa promessa são apenas os que amam a Deus e que são chamados por Ele. Estes são os que foram convencidos pelo Espírito Santo e responderam ao chamado aceitando a Cristo, amando o Senhor e recebendo a salvação eterna.
Todo aquele que crê que Jesus é o Senhor e Salvador de sua vida vive debaixo dessa promessa divina. Pode descansar, sabendo que sua vida está entregue ao Deus Todo-Poderoso que faz com que permaneça firmado na Rocha Inabalável, pois "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm. 8.31b).
Acreditar que o Senhor Soberano conduz todas situações para nosso bem nos dá força para continuar a carreira que nos foi proposta.
Que a nossa confiança nesta promessa cresça e que a segurança, fé, esperança e alegria sejam renovadas em nossas vidas como testemunho verdadeiro de que nosso Deus governa para todo o sempre em nosso favor.

Rosane Itaborai Moreira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O VALOR DA ORAÇÃO


Um dos pilares da vida cristã é a oração. Muitas vezes, somos levados a pensar que a oração é a garantia que Deus nos atenderá e que ela determina a ação de Deus. Mas, com certeza, através dela, o Senhor quer nos proporcionar muitas outras experiências superiores e eternas.
A oração estabelece o nosso relacionamento com Deus. A Bíblia recomenda orar sem cessar, mostrando que Deus quer manter um contato permanente e individual com cada filho seu. Cada oração feita nos permite o aperfeiçoamento de nossa intimidade com o Senhor. Ela pode ser considerada como um termômetro de nossa maturidade espiritual.
A oração também expõe para Deus e para nós mesmos a intenção de nossos corações. O seu conteúdo vai sendo transformado à medida que amadurecemos. Deixamos de nos concentrar em nossas necessidades para dedicar-nos mais aos propósitos de Deus. Mais importante que os benefícios concedidos em resposta à oração passa a ser o nosso entendimento a respeito do Senhor.
A Bíblia afirma que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas apresentar a Deus nossos pedidos com ações de graças. Isso revela a importância da oração como remédio para nossas preocupações, pois seremos guardados mediante a paz de Deus. Realmente, a oração nos proporciona a paz verdadeira e convicção da soberania de Deus. A busca pelo Senhor nos leva a entregar a Ele nossos temores e necessidades e confiar nAquele que é nosso confidente e conhecedor do mais íntimo de nosso ser. Nossa vontade passa a ser fazer a vontade de Deus e aí, sim, pelo Espírito, oramos segundo o Seu perfeito querer. Nossas dificuldades são menos pesadas e podemos experimentar a paz que excede todo entendimento humano e que independe das circunstâncias.
Orar segundo a vontade de Deus é a garantia de que nossas orações serão atendidas. Mas, algumas vezes, o Pai, que nos conhece, permite que a nossa imaturidade não sobreponha-se à sinceridade de nossas intenções. Por isso, também podemos crer que o nosso relacionamento verdadeiro com Deus pode nos permitir “tocar nas suas vestes” e o nosso coração contrito pode “mover a mão de Deus”, pois a principal regra é que Ele é o Senhor e para Ele não há impossíveis.

Rosane Itaborai Moreira

domingo, 23 de novembro de 2008

JESUS, A LUZ DO MUNDO


Jesus disse aos seus seguidores: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo. 8.12). Esse versículo complementa a afirmação em João 3:19a: “O julgamento é este: que a luz veio ao mundo..”. Ao se declarar a luz do mundo, Jesus diz que veio oferecer a possibilidade de uma vida completa, verdadeira, eterna ao homem que estava sob domínio das trevas.
Sabemos que Jesus veio para os judeus para revelar-lhes que Ele era o Messias apontado nas Escrituras. Nos Evangelhos, visualiza-se claramente que Ele procurou dar o entendimento do que havia sido dito anteriormente por meio da Lei e dos Profetas. Assim, Jesus veio para ser a resposta dO que era tão esperado e tão desejado pelo povo de Israel. Ele havia chegado para iluminar o que estava ofuscado na história daquela nação. Da mesma forma Cristo faz na vida de todo aquele que O recebe; Ele é a única solução para reconciliar o homem com Deus, resgatando-o da escuridão e conduzindo-o a uma vida plena.
Ao dizer que é a luz do mundo, Jesus nos fornece algumas verdades. Primeiramente, assim como a luz, Cristo veio para melhorar a nossa capacidade de enxergar. Nós vemos os objetos por que a luz é refletida por eles e daí chega aos nossos olhos. Ao estar presente em uma situação, Jesus faz com que ela seja enxergada de forma clara e nítida. Em segundo lugar, da mesma forma que pouca luz faz com que não consigamos discernir os objetos direito, a falta de Cristo nos direciona para caminhos obscuros, decisões incorretas e conclusões precipitadas. Somente Ele nos fornece discernimento e sabedoria para resoluções acertadas. Finalmente, sabemos que uma luz forte tem a capacidade de fazer com que percebamos os defeitos de um objeto e, paralelamente, Jesus veio para entrar em nosso interior, em nossos relacionamentos, enfim, em nossa vida, para escancarar e clarear tudo, de forma que possa haver conserto, arrependimento e restauração.
O Evangelho de Jesus é confiável porque é capaz de mostrar a realidade sem máscaras. O que não é verdadeiro não fica oculto; antes, é destruído e mostrado de maneira nítida e precisa. Nosso pecado nos é apresentado e não temos como nos esconder, porque é revelado por Aquele que é a fonte de toda luz.
Somente com a presença de Cristo podemos enxergar e escolher claramente o caminho a seguir na jornada de nossa vida. Saberemos qual é o certo e qual leva à destruição. É Ele quem nos conduz em direção a Deus, nos reconciliando com o Pai.
Jesus é a luz, devemos seguir após Ele; senão, ficamos na escuridão e, com certeza, vamos esbarrar nos objetos, cair em buracos, errar o trajeto, andar em círculos, enfim, vamos viver e morrer nas trevas.


Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 2 de julho de 2008

SEGUIR A CRISTO


Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram” (Mc. 1.16-18).
Esse texto bíblico mostra o que representa para o homem aceitar o Evangelho de Jesus. Assim como os discípulos, que mudaram de direção e de alvo, o verdadeiro Evangelho exige que o cristão tome novas posturas e deixe verdadeiramente as redes que o aprisionam e passe a seguir apenas ao seu Senhor.
Seguir a Cristo é muito mais do que levantar a mão no culto ou ser recebido como membro em uma igreja. Seguir a Cristo é ser recebido no Reino dos Céus ao tomar uma decisão radical de vida e se entregar a um novo projeto, sabendo que a partir de então sua vida não mais pertence a você e sim a Ele.
Seguir a Cristo não é ter a certeza de que tudo irá bem. Seguir a Cristo é ter a certeza de que em todas as coisas e em todos os lugares o Senhor irá com você. E, por pior que seja situação, ter convicção que sua escolha é a melhor, pois é caminhar com Ele e nEle confiar.
Seguir a Cristo não é ter garantia de que a sua família, os seus negócios e os seus amigos ficarão intactos. Seguir a Cristo requer tamanha decisão que se pode ter que abrir mão daquilo que já estava supostamente conquistado.
Seguir a Cristo não é uma atitude emocional, sujeita a variantes e variações como as ondas do mar. Seguir a Cristo exige perseverança, coragem de suportar as pressões que o mundo impõe com a clareza mental que somente o verdadeiro Evangelho proporciona.
Seguir a Cristo não é ser escravo de mandamentos e de ordens celestiais. Seguir a Cristo é ser tão liberto e tão livre que se é capaz de decidir pela obediência, por seguir o caminho do Senhor que libertou de todo jugo.
Seguir a Cristo não é ser radical quanto às suas próprias opiniões. Mas, necessariamente, seguir a Cristo é ter a Palavra de Deus como o único ponto de vista, como referência, como base para toda a sua vida e toda a sua caminhada. É entender que você é o discípulo e que Ele é o Mestre.
Nessa jornada, após largar as redes, importa buscar ter a mente de Cristo e não abrir mão de se viver centrado e estruturado no ensino do Senhor.

Rosane Itaborai Moreira

quinta-feira, 26 de junho de 2008

DEUS E A HISTÓRIA


O estudo da História da Teologia consiste em toda reflexão humana como esforço em aprofundar e compreender melhor as manifestações de Deus ao homem ao longo da história. Ainda que o objetivo seja a revelação de Deus aos homens transmitida pelas Escrituras, experiências e tradição oral, esta reflexão humana não se desenvolve separada do contexto histórico e sociocultural através dos séculos até nossos dias. Compreende-se então que, apesar de Deus ser imutável, o pensamento teológico experimenta um desenvolvimento, uma evolução quando analisado cronológica e sistematicamente.
Nosso conhecimento de Deus inicia-se a partir da Criação, intentando um relacionamento íntimo e direto com o homem criado à Sua imagem e semelhança. O homem desobedece a Deus e o castigo divino é estendido a toda a humanidade, trazendo conseqüências inclusive à natureza. A partir daí, observam-se as diferentes formas de manifestação de Deus para que este relacionamento fosse restaurado.
Com o pecado presente em toda a humanidade, Deus acha graça em um homem, Noé, que é escolhido para, juntamente com sua família e alguns animais, entrar na arca, sendo todos os demais homens e animais objetos da ira e da condenação de Deus. Vê-se, então, o juízo e a graça divinos serem exercidos.
Mas Deus tem um propósito e Ele intervem na História para que o mesmo se cumpra.
No período Patriarcal, Deus chama um homem, Abraão, para ser pai de uma grande nação. O chamado foi direto e individual e a resposta de Abraão dependia da fé e da obediência a esta manifestação de Deus. Nesse período, Deus se revelou ao homem diretamente e, pela fé, ou seja, pela capacidade de ver Deus, o homem responde com a obediência. Estabelece-se, assim, o processo do desenvolvimento histórico do relacionamento de Deus com o homem.
No período da Lei, a revelação de Deus ao homem é formalizada através da Lei dada a Moisés. Deus se manifesta a Moisés mostrando Sua glória e poder e dando todos os estatutos a serem cumpridos pelo povo para que haja bênção. Os atos de Deus dependeriam, agora, da obediência à Lei. A Lei mostrava o pecado, e este separa o homem de Deus. Deveria haver arrependimento e conserto. Para aplacar a ira divina, o contexto da Lei também fornecia alternativas simbólicas para o homem livrar-se do pecado e reaproximar-se de Deus: sacrifícios de sangue, sacerdócio, festas e consagrações e até mesmo o tabernáculo, símbolo de Deus no meio do povo. Nota-se, nesse período, um grande número de ações de Deus no meio do povo mostrando sua justiça: a morte dos filhos de Arão, a lepra recaída sobre Miriã, a peregrinação do povo pelo deserto até que a primeira geração morresse devido à incredulidade e até mesmo o castigo dado a Moisés, que não entrou na Terra Prometida por desobediência. Deus, nesse período, manifestou-se não só por atos de justiça e condenação, mas também pelo cuidado com o povo: a nuvem de dia, a coluna de fogo à noite, a passagem pelo Mar Vermelho, o maná, entre tantos outros.
Ao se instalar em Canaã, Deus continua se manifestando com poder e cuidado com o povo e, principalmente, com o Seu comprometimento em cumprir a Sua Palavra. O episódio do pecado de Acã mostra a santidade de Deus e como a desobediência poderia trazer maldição, ou seja, o que é santificado por Deus torna-se anátema para o homem que usurpar, fazendo uso indevido do que é santo. Além da morte conturbada de Acã, o pecado oculto leva a uma derrota vergonhosa de Israel na Batalha de Ai. Novamente, é visto com clareza o exercício do juízo divino.
Em Juízes, com a falta de liderança política e espiritual, a religião torna-se com forma (sacrifícios, sacerdócio, festas, etc.), mas sem essência (arrependimento, santidade, comunhão, revelação, etc.), gerando um ciclo que, quando havia arrependimento do povo pela apostasia, Deus se manifestava através de um juiz escolhido por Ele para tirar o povo da opressão dos estrangeiros e legislar no meio deste povo. A manifestação de Deus dependia da conversão da nação dos seus maus caminhos.
Samuel inaugura o Período Profético, que pode ser visto como uma tentativa de Deus Dmostrando que a essência é mais importante que a forma. É a reestruturação religiosa baseada no aspecto básico e essencial da Lei: o arrependimento. O ponto culminante dessa mudança é sentenciado pelo próprio Deus em I Sm.16.7b: “O homem vê o exterior, porém, o Senhor, o coração”. Todos os demais profetas que viriam após Samuel experimentam essa intimidade e compromisso com Deus, sendo usados como canal para a revelação da vontade de Deus em relação à nação de Israel. Eram responsáveis por falar ao povo aquilo que Deus tinha a dizer. Através de um homem escolhido e separado, Deus se revela ao Seu povo, não só pela palavra proferida, como também na realização de atos miraculosos comprovando a presença de Deus na vida daquele homem.
No período da Monarquia, pode-se ver, com o rei Davi, a revelação de Deus ao homem de uma forma completa. Ele personifica o ser humano em ambigüidade cujo ser interior anseia por um relacionamento íntimo com Deus; retrata, também, o modelo de um israelita que experimenta a essência da Lei, usufruindo todas as bênçãos (intimidade) e disciplinas cabíveis neste relacionamento. Assim, pode-se ver Deus rejeitando Saul ao oferecer sacrifícios antes de ir para a guerra, pois Samuel demorava (ato aparentemente correto ou justificável para o ser humano), mas não condenando Davi, que entrou no tabernáculo e comeu o pão santo da proposição juntamente com seus homens, pois tinham fome (ato aparentemente errado). Deus manifesta, novamente, Seu juízo e Sua misericórdia em cada vida, pois sonda e conhece o coração.
Deve-se entender que todo o pensamento judeu em relação à manifestação de Deus pode ser simplificado da seguinte forma: Deus se revela ao homem pela Palavra e gera no homem uma experiência relacional, que gera uma ação exterior, a obediência. Era dessa forma, então, que a nação de Israel conviveu com o Deus que se revelou poderoso, justo, provedor, libertador. Era o Deus Forte das Batalhas, que lutava pelo povo escolhido. O entendimento de Sua graça e misericórdia tiveram lugar apenas para aqueles que ousaram buscar uma intimidade e relacionamento com Deus, pois Deus sempre falou que de nada valiam sacrifícios e holocaustos se os corações continuassem cheios de maldade, ou ainda, que era melhor obedecer que sacrificar.
Mas, ainda assim, Deus continua intervindo na história para cumprir Sua Palavra. Para voltar a se relacionar com o homem, que sempre continuou pecando e distanciando-se de Deus, Ele envia o Messias Prometido, Seu Filho Jesus, inaugurando um novo momento teológico.
Em Jesus, tem-se a revelação maior de Deus: o Seu amor incondicional, que não está em Deus, mas é Deus, pois “Deus É Amor”, capaz de colocar em um só homem todo o pecado e toda condenação que seria destinada à humanidade. É a revelação da graça, do amor, da misericórdia, da benignidade e tantos outros atributos que são vistos em Jesus. E Ele diz: “Quem vê a Mim, vê o Pai”. Então, este é o mesmo Deus que se manifestou desde o início da criação.
Jesus veio mostrar o Deus que cuida dos enfermos, dos pobres, dos necessitados e dos aflitos. Que manda dar a outra face, caminhar a segunda milha, lavar os pés do próximo, socorrer o necessitado, comer com pecadores, valorizar os excluídos socialmente. Ele veio mostrar que a Lei foi feita para o homem e não o homem foi feito para a Lei. Jesus quebrou paradigmas, violou regras farisaicas, mostrou um Reino interior. Jesus, literalmente, foi um revolucionário, despindo os judeus de toda hipocrisia e mostrando o que tem realmente valor para Deus.
Diante de uma aparente ambigüidade, poder-se-ia perguntar: Como um Deus que manda matar, espalha pragas e doenças, leva o povo cativo, não aceita ser contrariado, pode ser o mesmo Deus que mostra amor, mansidão e graça? A resposta pode parecer não ser simples, mas Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Ele é imutável. Ele é o “EU SOU”. Os Seus atributos são maneiras humanas de entender e classificar a revelação divina de acordo com o período histórico, cultural e social, mudando apenas como Deus se faz entender pelo homem em cada época e situação.
Como já dito, a partir do Novo Testamento, a reflexão teológica toma um caminho novo. Nos Evangelhos, Deus é visto no meio do povo, o Emanuel. Em Atos, com a descida do Espírito Santo, Deus passou a habitar dentro de cada cristão. É a presença de Deus dentro e a partir de cada um. Deve-se lembrar que, também nesse período, existem os simbolismos, que consiste na forma da religião: a ceia do Senhor e o batismo, como exemplos.
O Livro de Atos também mostra claramente a soberania de Deus para que Seus propósitos sejam cumpridos. Os cristãos são obrigados a saírem de Jerusalém e, perseguidos e cheios do Espírito, passam a cumprir o que Jesus mandara: levar o Evangelho até os confins da terra. Esse momento histórico é também permeado de milagres realizados pelos discípulos, comprovando a veracidade do Deus que pregavam.
Apesar de ser um período da manifestação da graça e do amor de Deus, da revelação de que Jesus levara os pecados e condenação sobre si mesmo, o pecado continua a ser mostrado, agora à luz da Verdade, pois, em Cristo, nossos erros são revelados para conserto. O episódio de Ananias e Safira, que morreram ao mentir para a comunidade cristã e para o Espírito Santo, mostra que Deus não é conivente com o pecado, apesar da graça e de toda longanimidade. Era um momento histórico em que algo precisa ficar bem estabelecido: a imutabilidade, a santidade e a soberania de Deus.
Dessa forma, podemos afirmar que Deus é o mesmo eternamente, mas, ao traçarmos uma linha cronológica, vemos as diversas formas da manifestação de Deus no decorrer da história, que não podem ser dissociadas umas das outras, mesmo para a reflexão teológica. Podemos, no máximo, investigar qual a expressão de Deus num exato momento para compreendermos o que Deus quer revelar ao Seu povo, mas jamais para estudarmos quem ou como Ele é considerando apenas um determinado período histórico.

Rosane Itaborai Moreira

quarta-feira, 25 de junho de 2008

A IMPORTÂNCIA DA BÍBLIA


Encontramo-nos em meio ao cumprimento de profecias bíblicas e assistimos continuamente à realização do que foi predito há muito tempo atrás nas Escrituras. Por essa razão, é necessária a atenção para a importância e o poder renovador da Palavra de Deus.
"Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos" (Jo 8.31). – "Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço" (Sl 119.165).
Esse é o segredo do discipulado no dia-a-dia, na rotina cristã cotidiana. Isso é sabido e conhecido há séculos, mas é preciso repetir e ensinar a cada nova geração essa verdade tão simples, mas fundamental para uma vida cristã bem-sucedida. A melhor maneira de estudar a Bíblia é simplesmente lendo-a atentamente todos os dias, expondo-se em oração à luz do Senhor que dela procede e meditando em suas palavras. Isso pode ser feito de várias maneiras: a sós, em família, em estudos de pequenos grupos, em classes de escola dominical, etc.
A Bíblia produz efeito por si mesma de maneira sobrenatural: através da ação do Espírito Santo, suas palavras, suas expressões e seus ensinamentos moldam nosso comportamento e nossos pensamentos, de modo que passamos a refletir o caráter de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo em nossa maneira de viver. Assim, somos influenciados até às profundezas de nosso ser.
Não há nada surpreendente nesse processo. O conhecimento bíblico de um cristão é simplesmente o fruto da aplicação persistente do mais simples de todos os métodos: a leitura e o estudo das Sagradas Escrituras dia após dia, o que torna seu conteúdo cada vez mais familiar.
Devemos também enfatizar constantemente que a Bíblia é nossa "única regra de fé e prática". Nenhuma experiência ou revelação tem qualquer valor se não houver claro fundamento bíblico.
Além da leitura da Bíblia, há também livros e publicações que podem ajudar a compreendê-la melhor. Entretanto, qualquer afirmação ou interpretação, mesmo que proceda de destacados líderes, deve ser verificada e confrontada com a própria Palavra de Deus. Em Atos 17.11 temos o conhecido exemplo dos bereanos, que avaliavam à luz das Escrituras até mesmo o que o grande apóstolo Paulo lhes tinha dito – e são elogiados por isso: "Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim”.
Rosane Itaborai Moreira